GOs na luta pela valorização profissional
13 nov. de 2017
Historicamente ocupando um lugar de destaque na assistência à população, a ginecologia e a obstetrícia passam por um momento crítico, em que é preciso lutar pela valorização profissional para que os médicos e a sociedade voltem a dar importância ao trabalho da especialidade. A avaliação é do presidente da FEBRASGO, César Eduardo Fernandes.
“O ginecologista e obstetra está muito subvalorizado, aviltado tanto no sistema de saúde pública quanto, e especialmente, no de saúde suplementar. Hoje o médico, de modo geral, não tem atividade privada e é prisioneiro das grandes operadoras, que praticam preços abusivos. E nesses tempos, em que a crise financeira se abateu sobre nós, isso praticamente inviabilizou a atividade de consultório”, reflete o presidente da FEBRASGO. “Nos dias atuais, o ginecologista e obstetra anda de cabeça baixa, sem motivação, sem entusiasmo, sem reconhecimento, muito mal remunerado”, descreve.
Para ilustrar o seu ponto de vista, Fernandes, professor titular da Faculdade de Medicina do ABC, conta que seus alunos de residência médica, ao terminarem o R3, não têm interesse em seguir com a ginecologia e a obstetrícia básica e saem em busca de formação em alguma subespecialidade, como reprodução humana e medicina fetal, para terem mais reconhecimento e serem melhores remunerados. “Fazer aquele trabalho de atender a população, de ser o médico da mulher, isso nenhum deles quer fazer mais. E em obstetrícia, que é de alto risco e muito exaustiva, muito menos”, denuncia.
A consequência desta situação prevista pela FEBRASGO é o desabastecimento de especialistas, principalmente de obstetras. “Em breve, vamos perder obstetras com a competência que a população brasileira está acostumada, competência que está equalizada com as melhores do mundo”, alerta Fernandes.
Para reverter essa situação, segundo o presidente da FEBRASGO, é preciso primeiro conscientizar o ginecologista e obstetra da importância de sua especialidade. Outro passo importante é reverter a relação com os gestores de saúde, para tê-los como parceiros e não como adversários. “É fundamental remunerar esse profissional adequadamente. Ele faz seis anos de faculdade, depois mais três de residência, ou seja, são nove anos para que possa entrar no mercado de trabalho, aproximadamente com 30 anos de idade, e ele não aceita um salário aviltante e por isso migra para outra especialidade”, explica.
“Se não houver uma mudança radical, com reconhecimento da população, valorização do gestor de saúde a esse trabalho e remuneração adequada, o futuro da ginecologia e da obstetrícia é sombrio”, conclui Fernandes. “O que queremos é melhorar as condições para atender melhor a mulher, de nada adianta reivindicarmos tudo isso se não resultar em melhora na assistência à população”, finaliza.