Tomossíntese mamaria ou Mamografia 3D
12 jun. de 2018
Quando utilizamos a mamografia digital convencional todas as estruturas nas diferentes alturas do parênquima mamário são vistas em um só plano. Isto leva a um elevado número de casos falsos negativos, uma vez que estruturas normais podem “esconder “cânceres iniciais, que só serão detectados em outras rodadas de rastreio ou mesmo quando se tornarem palpáveis, em alguns casos com estágios tumorais mais avançados comprometendo o prognóstico das pacientes.
Por outro lado, tais superposições podem ocorrer em tecidos mamários sadios que quando observados em um só plano, podem mimetizar imagens suspeitas levando a indicação de biópsias desnecessárias, configurando os casos de falsos positivos.
A tomossíntese mamária ou mamografia em 3D foi a solução tecnológica encontrada para minimizar estes efeitos observados com o uso da mamografia digital convencional
De uma maneira geral, a aquisição das imagens na tomossíntese se assemelha àquela da mamografia digital convencional no que diz respeito ao posicionamento da paciente e a compressão da mama, porém, diferentemente da mamografia convencional, o tubo de raios X se move em arco com angulo de 15º a 30 º, fazendo de 11 a 21 exposições (normalmente 15) de baixíssima dose de radiação que serão depois sintetizadas.
Na tomossíntese são analisadas em média cerca de 60 a 100 cortes em cada incidência de cada mama (em média de 120 a 200 cortes por mama) ao invés de 2 imagens por mama na mamografia convencional. O tempo para a análise do exame é geralmente o dobro do da análise da mamografia digital convencional.
Desta forma, apresenta uma superior capacidade de análise de bordas em nódulos e distorções quando comparados à mamografia digital. Com os últimos softwares de pós-processamento a avaliação de microcalcificações também ganhou grande diferenciação.
Frente à sua fácil aplicabilidade e manuseio, rapidez (a duração de cada uma das incidências é de 4 a 8 segundos), aceitação por parte das pacientes e aos excelentes resultados obtidos em termos de valores preditivos o método ganha cada vez mais adeptos não só na Europa como Estados Unidos e Canadá.
É obrigatório fazer também uma mamografia digital mas hoje se utiliza muito uma imagem sintetizada para esse fim, reduzindo os níveis de radiação e oferecendo mais segurança às pacientes.
Nos últimos anos diversos estudos clínicos Europeus e Norte Americanos evidenciaram dados bastante significativos sobre o método quando comparados com a mamografia digital convencional, a saber:
- Aumento da taxa de detecção de câncer variando de 25 a 54 %.
- Aumento da taxa de detecção de cânceres invasores pequenos em até 40 %.
- O aumento da taxa de detecção não foi apenas nos casos de mamas densas (C e D do BI-RADS) como também nas mamas mais lipossubstituídas (como A e B).
- Redução do número de cânceres de intervalo.
- Redução da reconvocação dos pacientes entre 15 a 25 %.
- Diminuição dos casos de sobre diagnóstico.
- Aumento do valor preditivo positivo para biópsias.
Face aos resultados observados, principalmente no que tange ao grande aumento na taxa de detecção de câncer de mama corroborada pelo o impacto da diminuição a taxa de reconvocação, a tomossíntese está indicada no rastreio mamográfico e no estudo diagnóstico.
Um dos mais significativos guidelines de rastreio de câncer de mama da atualidade, o NCCN – National Comprehensive Cancer Network recomenda considerar a tomossíntese em todos os casos em que haja recomendação ao uso da mamografia. Isto se deve ao fato de, apesar de demonstrar a superioridade diagnóstica, sua disponibilidade não é ainda ampla em função principalmente dos seus custos de aquisição.
Quanto a custos operacionais, Bonafede e cols, da Universidade de Yale, apresentaram em janeiro de 2015, uma análise da substituição no rastreamento da mamografia digital convencional pela tomossíntese e m uma população servida pelas companhias seguradoras americanas, observando que no contexto global haveria uma economia de US 28,53 por paciente e com economia anual de 550 milhões de dólares para as companhias seguradoras.
Observamos hoje uma gradativa aderência ao método em nosso país, o que, sem sombra de dúvida, tende a acarretar um grande impacto na detecção precoce do câncer de mama e a FEBRASGO, pela sua capilaridade, é um instrumento essencial para a divulgação da técnica.
Henrique Alberto Pasqualette
Membro da Comissão de Imagenologia Mamaria da FEBRASGO
Coordenador da Pós-Graduação em Imagenologia Mamária da Faculdade de Medicina da UNIREDENTOR RJ
Diretor do CEPEM – Centro de Estudos e Pesquisas da Mulher – RJ