Impacto da gestação na atividade sexual feminina

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Impacto da gestação na atividade sexual feminina

07 ago. de 2018

        A resposta sexual humana compreende as fases do desejo, excitação, orgasmo e satisfação, que podem sofrer alterações durante a gestação (MARQUES, 2008; SILVA, 2005). A fase do desejo sexual é a mais acometida e sofre oscilações resultantes das modificações físicas e psíquicas que ocorrem ao longo da gravidez (CAMACHO, 2010). Estudo evidencia que as dificuldades sexuais afetam entre 40 e 70% das mulheres em algumas culturas (GOKYILDIZ, 2005; MURTAGH, 2010).

           No primeiro trimestre, a mulher apresenta sonolência, cansaço, náuseas, medo de aborto, sensação de perda, o que, aliado a alterações hormonais pode levar a diminuição da frequência do ato sexual (PRADO, 2013). A segunda fase da gestação caracteriza-se pela estabilização do desejo sexual na maioria das mulheres. Nesse período, a mulher já internalizou a maternidade, seu corpo começa a se definir e ocorre a resolução da maioria dos sintomas comuns do primeiro trimestre (FERREIRA, 2012). O segundo trimestre parece ser o mais favorável quanto a esses aspectos, visto que diversos estudos apontam satisfação sexual nesse período (TRUTNOVSKY, 2006; BELLO, 2011). 

         O terceiro trimestre é marcado pelo aumento da interferência dos fatores orgânicos e das ansiedades em relação ao parto. O excesso de peso, as mudanças físicas próprias do crescimento do feto e o maior desconforto na busca de posições adequadas para a penetração dificultam a performance sexual do casal reduzindo a atividade sexual no final da gravidez (FERREIRA, 2012; LIMA, 2013).

            Para muitos casais, estas dificuldades sexuais durante a gestação geram estresse, ansiedade e problemas conjugais que podem afetar negativamente a qualidade de vida do casal (VIEIRA, 2012).

            Entretanto, por constrangimento ou medo, frequentemente relutam em fazer perguntas espontâneas sobre suas questões sexuais com o profissional de saúde a não ser que este aborde o assunto primeiro (JONES, 2011). Por outro lado, muitos profissionais se sentem despreparados e pouco à vontade para abordar o tema com suas pacientes (ABDO, 2006; JANNINI, 2009).

            Assim, conhecendo o impacto negativo da gravidez na função sexual da mulher e as repercussões negativas no bem-estar do casal, recomenda-se que o médico responsável pela atenção a gestante aborde este tema ao longo da gravidez e no puerpério a fim de oferecer informações sobre o benefício de práticas sexuais seguras e prazerosas no período gestacional.        

 

REFERÊNCIAS

 

  1. Vieira TCB, Souza E, Nakamura MU, Mattar R. Sexualidade na gestação: os médicos estão preparados para lidar com estas questões? Rev Bras Ginecol Obstet. 2012; 34(11):485-7.
  2. Prado DS, Lima RV, Lima LMMR. Impacto da gestação na função sexual feminina. Rev Bras Ginecol Obstet. 2013; 35(5):205-209.
  3. Jannini EA, Fisher WA, Bitzer J, McMahon CG. Is sex just fun? How sexual activity improves health. J Sex Med. 2009; 6(10):2640-8.
  4. Ferreira DQ, Nakamura MU, Souza E, Neto CM, Ribeiro MC, Santana TGM, Abdo CHN. Função sexual e qualidade de vida em gestantes de baixo risco. Rev Bras Ginecol Obstet. 2012; 34(9):409-13.
  5. Bello FA, Olayemi O, Aimakhu Co, Adekunle AO. Effect of pregnancy and childbirth on sexuality of wimen in Ibadan, Nigeria. ISRN Obstet Gynecol. 2011; 2011:856586.
  6. Trutnovsky G, Haas J, Lang U, Petru E. Women’s perception of sexuality during pregnancy and after birth. Aust N Z J Obstet Gynaecol. 2006; 46(4):282-7.
  7. Gokyildiz S, Beiji NK. The effects of pregnancy on sexual life. J Sex Marital Ther. 2005; 31 (3):201-15.
  8. Leite AP, Campos AA, Dias AR, Amed AM, De Souza E, Camano L. Prevalence of sexual dysfunction during pregnancy. Rev Assoc Med Bras. 2009; 55(5):563-8.
  9. Murtagh J. Female sexual function, dysfunction, and pregnancy: implications for practice. J Midwifery Womens Health. 2010; 55(5):438-46.
  10. Jones C, Chan C. Farine D. Sex in pregnancy. 2011; 183(7):815-8.
  11. Abdo CHN. Elaboração e validação do quociente sexual- versão feminina: uma escala para avaliar a função sexual da mulher. Rev Bras Med. 2006; 63(9): 477-82.
  12. Lima AC, Dotto LMG, Mamede MV. Prevalência de disfunção sexual em primigestas, no Município de Rio Branco, Acre, Brasil. Cad Saude publica: 29(8): 1544-1554. Ago. 2013.
  13. Marques FZC, Chedid SB, Eizerik GC. Resposta sexual humana. Rev Ciênc Méd, Campinas, 17(3-6): 175-183, maio/dez., 2008.
  14. Silva, AI, Figueiredo B. Sexualidade na gravidez e após parto. Psiquiatria Clínica, 25, (3), pp. 253-264, 2005.
  15. Camacho KG, Vargens OCMC, Progianti JM. Adaptando-se à nova realidade: a mulher grávida e o exercício da sua sexualidade. Rev. Enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 18(1): 32-37, jan/mar 2010.

Yara Maia Villar de Carvalho1, Giulia Paiva Oliveira Costa2, Francisco Marcelo Braga de Carvalho3, Rosemari Otton4, Carmita H, N. Abdo5, Beatriz Maria Villar de Carvalho6

 

1Médica Especialista em Ginecologia, Obstetrícia e Sexualidade Humana, Preceptora do Internato da FAMENE – Faculdade de Medicina Nova Esperança.

2Médica.

3Médico Especialista em Ginecologia, Obstetrícia e Sexualidade Humana, Professor de Ginecologia da FAMENE – Faculdade de Medicina Nova Esperança, Preceptor do Internato da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba.

 4Ph.D. Universidade Cruzeiro do Sul. Pós Graduação em Ciências da Saúde.

5Psiquiatra, Livre-docente e Professora Associada do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP.

6Graduanda em Medicina na Faculdade Ciências Médicas da Paraíba.

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