Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial

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Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial

21 mar. de 2024

Ginecologia no Combate à Discriminação Racial: abordagem antirracista na assistência à saúde deve ser uma prioridade para todos os profissionais

 

No dia 21 de março é celebrado o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1966, representa um marco na conscientização global sobre a necessidade de erradicar todas as formas de preconceito racial. Neste contexto de reflexão e ação, a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) destaca a importância da atuação dos ginecologistas na luta contra a discriminação racial.

Segundo o levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 55,5% da população brasileira se identifica como preta ou parda. Entre os pardos, que correspondem a 45,3% da população, houve um marco histórico: pela primeira vez desde 1872, quando foi realizado o primeiro recenseamento do país, eles superam em quantidade os brancos.

A Dra. Maria Auxiliadora, vice presidente da região Centro Oeste e membro da Comissão de Ética da FEBRASGO, enfatiza que a abordagem antirracista na assistência à saúde deve ser uma prioridade para todos os profissionais, especialmente no atendimento às mulheres.”Populações privadas de direitos ou em situação de risco social apresentam indicadores de saúde mais frágeis quando comparadas aos cidadãos mais privilegiados. O racismo institucional é um reflexo do racismo estrutural, e o médico ginecologista está envolvido no cuidado integral à saúde da mulher. Ao compreender o contexto social, incluindo desemprego, baixa escolaridade, condições de moradia e subsistência, o ginecologista pode identificar vulnerabilidades e, assim, em colaboração com a equipe de saúde, fornecer uma atenção mais abrangente. Os resultados em saúde são diretamente impactados pelo nível de racismo estrutural e institucional”, declarou.

 

O racismo está associado a piores resultados em saúde de forma geral, incluindo saúde física e mental comprometidas, manifestando-se em problemas como depressão, ansiedade e estresse psicológico. Na ginecologia, as disparidades raciais são evidentes: as mulheres negras apresentam as maiores taxas de mortalidade e morbidade materna grave, além de começarem o pré-natal mais tardiamente ou não realizá-lo, estarem em maior risco de pré-eclâmpsia, prematuridade e hemorragia pós-parto, e também relatam experiências negativas no atendimento durante o ciclo gravídico-puerperal. A pandemia também escancarou essa ferida social: a mortalidade por COVID-19 foi mais elevada entre a população negra, e a mortalidade materna foi duas vezes maior entre as mulheres negras em comparação com as não negras em nosso país. Conhecer essa realidade é um papel fundamental de todos aqueles que prestam assistência à mulher em todos os seus ciclos de vida.

 

A especialista de FEBRASGO explica que o risco de uma mulher negra morrer por aborto inseguro no Brasil é 2,5 vezes maior do que o de uma mulher não negra. E, além disso, as mulheres negras são maioria em casos de gravidez não intencional e enfrentam, devido a várias questões sociais, dificuldades no acesso aos métodos contraceptivos. Ela enfatiza que as políticas públicas precisam avançar para garantir os direitos reprodutivos, e o ginecologista deve desempenhar um papel central no cuidado e na atenção ao planejamento familiar. O aconselhamento reprodutivo, a orientação e, principalmente, a vigilância da situação epidemiológica da população que recebe seus cuidados são fundamentais para a integralidade das ações.

 

 “Os profissionais de saúde podem adotar medidas como o estudo contínuo e a educação permanente, que devem ser incentivadas para promover uma abordagem antirracista contínua nos serviços de saúde. Ouvir é reconhecer, e reconhecer é uma ferramenta única para a transformação. Ao olharmos com respeito para o ser humano que atendemos em diversos ecossistemas de saúde, proporcionamos dignidade para um projeto terapêutico único e transformador”, finalizou a médica.

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