30 de abril – Dia Nacional da Mulher: Brasil entra na nova era do rastreio do câncer de colo uterino

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30 de abril – Dia Nacional da Mulher: Brasil entra na nova era do rastreio do câncer de colo uterino

30 abr. de 2025

Mulheres de 25 a 64 anos podem realizar o teste de DNA HPV

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) mostram que o câncer de colo de útero é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre mulheres. Para cada ano do triênio 2023-2025 foram estimados 17.010 casos novos, o que representa uma taxa bruta de incidência de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres.

Sabendo que o fator etiológico do câncer de colo é o HPV, a técnica de biologia molecular como o teste de DNA HPV, que identifica a presença do vírus mesmo antes de ter alteração do Papanicolau, passa a ser uma promissora aliada no diagnóstico precoce, evitando a progressão para o câncer de colo uterino.

O Papanicolau, exame indicado para identificar células malignas no diagnóstico das lesões de colo do útero, tem algumas limitações, como a sensibilidade reduzida para o diagnóstico de lesões de alto grau, que é o pré-câncer.

O Brasil já estabeleceu as novas diretrizes para o teste de DNA HPV e esse documento está pronto, aprovado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) e entra para a fase de implantação. A população alvo para realizar o teste de DNA HPV são mulheres de 25 a 64 anos.

“A nova era do rastreio do câncer de colo uterino no Brasil” é uma das aulas que estão na grade de programação do 62º CBGO – Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece entre os dias 14 e 17 de maio, no Rio de Janeiro. A Dra. Neila Maria De Góis Speck, especialista em Ginecologia e Trato Genital Inferior da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e palestrante do Congresso, explica na entrevista a seguir como DNA HPV pode mudar o cenário atual do câncer de colo de útero no Brasil.

 

Qual a periodicidade para realizar o DNA-HPV?

Dra. Neila M. G. Speck – Se o teste for negativo, não tem HPV, não tem risco de câncer. Repete em cinco anos. Se for positivo para os DNAs 16 e 18, faz colposcopia. Se for positivo para outros tipos, faz a citologia reflexa e se a citologia for alterada, colposcopia. Se a citologia for normal, repete em um ano.

 

O que o DNA-HPV muda em relação ao tratamento do HPV e do câncer de colo uterino?

Dra. Neila M. G. Speck – O DNA vai fazer diagnóstico mais precoce. Temos um trabalho muito bem desenhado, que foi realizado na cidade de Indaiatuba (SPe demonstrou diagnóstico por essa estratégia muito mais precoce em fases iniciais, ou seja, a mulher vai ser tratada, operada e a chance de cura é maior. Outro ponto positivo que o mesmo trabalho mostrou foi a antecipação do diagnóstico em 10 anos em mulheres mais jovens.

 

Quais os sinais do câncer de colo uterino?

Dra. Neila M. G. Speck – Depende muito das fases de aparecimento do diagnóstico. O pré-câncer, encontrado no rastreamento do teste do HPV ou o Papanicolau, se ele não falhar, não apresenta sintomas.

O câncer na fase inicial também pode não dar sintoma, mas conforme ele vai crescendo, evoluindo, a mulher apresenta sangramento, inclusive na relação sexual, que é um sinal de alerta. Também pode haver corrimento com cheiro ruim. Progredindo a doença, ela pode ter queixas de dor pélvica etc. Mas, em geral, as fases que buscamos no rastreamento são totalmente assintomáticas.

 

A vacina contra HPV tem efeito em mulheres com vida sexual ativa ou mesmo mulheres acima dos 30, 40 anos?

Dra. Neila M. G. Speck – Sim. O perfil ideal de vacinação é a adolescente que ainda não foi exposta ao vírus e, nesses casos, a imunidade com a vacina pode chegar a 100%. A vacina do SUS protege contra quatro tipos de vírus HPV e, no sistema privado, essa proteção chega a nove tipos.

 

Mas as pessoas adultas podem se vacinar porque terão benefício. Mulheres que trataram de pré-câncer, quando tomam a vacina durante ou após o tratamento do pré-câncer, pode apresentar diminuição da taxa de recidiva, ou seja, pode diminuir a chance de a doença voltar.

No Brasil, a vacina HPV é aprovada até os 45 anos. Na Europa, não existe idade limite para esta vacina.

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