Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha: desafios e avanços na saúde ginecológica

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Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha: desafios e avanços na saúde ginecológica

24 jul. de 2025

Comemorado em 25 de julho, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha foi instituído em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado na República Dominicana. A data tem como objetivo dar visibilidade à luta contra o racismo, o sexismo e todas as formas de opressão que impactam profundamente a vida das mulheres negras na América Latina e no Caribe. Além de promover reflexões sobre igualdade e justiça social, a iniciativa também busca conscientizar a sociedade sobre os desafios enfrentados por essas mulheres no acesso à saúde integral, aos direitos humanos e às políticas públicas.

Segundo dados do Ministério da Saúde, mulheres negras apresentam taxas mais elevadas de mortalidade materna. Muitas vezes, isso ocorre por negligência, demora no atendimento ou por um racismo estrutural, que ainda permeia as instituições de saúde. A disparidade também se reflete no acesso à informação: campanhas educativas sobre saúde íntima e reprodutiva raramente são pensadas com recorte racial, o que dificulta a promoção do autocuidado e da prevenção entre essas mulheres.

A Dra. Lilian de Paiva Rodrigues Hsu, presidente da Comissão de Assistência Pré-natal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), chama atenção para as disparidades raciais no acesso ao pré-natal, ainda presentes em diversos países. Segundo ela, inúmeros estudos revelam que mulheres pertencentes a minorias étnicas ou raciais enfrentam obstáculos significativamente maiores para acessar um atendimento pré-natal de qualidade, quando comparadas às mulheres brancas. Essa desigualdade no cuidado pode levar a um aumento dos riscos gestacionais, elevando tanto a morbidade materna quanto a perinatal.

No Brasil, onde a maioria da população feminina é composta por mulheres negras, ainda persistem desigualdades gritantes nos cuidados ginecológicos. Estudos apontam que mulheres negras são menos ouvidas durante consultas médicas, têm menos acesso a exames preventivos como o Papanicolau e a mamografia, e enfrentam maiores barreiras para acessar métodos contraceptivos e tratamentos adequados para doenças como miomas, endometriose e câncer ginecológico.

A Dra. Lilian ainda destaca que o enfrentamento das desigualdades raciais na saúde exige a adoção de medidas concretas, como o acesso equitativo aos serviços de saúde, a ampliação das ações de educação e conscientização da população, a expansão da rede de atendimento e o monitoramento contínuo dos indicadores de saúde materna. Segundo a especialista, essas iniciativas são essenciais para garantir uma assistência pré-natal mais justa e eficaz, contribuindo de forma decisiva para a redução das disparidades de saúde entre diferentes grupos raciais e étnicos.

No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, é fundamental lembrar que lutar por equidade também é garantir acesso à saúde de qualidade, com respeito, empatia e compromisso. Promover políticas públicas que assegurem o cuidado ginecológico integral é uma das formas mais urgentes e eficazes de combater o racismo e a desigualdade de gênero na saúde.

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