Adenomiose: doença silenciosa pode causar cólicas fortes, sangramento intenso e dificuldade para engravidar

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Adenomiose: doença silenciosa pode causar cólicas fortes, sangramento intenso e dificuldade para engravidar

01 abr. de 2026

Abril Roxo – Mês de conscientização sobre a adenomiose

 

“Presente em até 40% a 50% das mulheres, a adenomiose é uma doença ginecológica mais frequente que a endometriose, mas ainda pouco reconhecida. Enquanto muitas pacientes não apresentam sintomas, outras convivem com cólicas fortes, dor pélvica e alterações menstruais importantes, muitas vezes sem saber a causa”, explica Dr. Sergio Podgaec, ginecologista membro da diretoria e da Comissão Especializada em Endometriose da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.

A doença acontece quando o endométrio, tecido que reveste a parte interna do útero, infiltra o miométrio, que é a camada muscular uterina. Trata-se de um quadro diferente da endometriose, em que esse tecido aparece fora do útero. Apesar de serem distintas, as duas doenças podem compartilhar alguns sintomas.

Na prática, a adenomiose pode passar despercebida durante anos. Isso porque a maioria das mulheres não apresenta queixas e recebe o diagnóstico apenas como um achado de exame de imagem. Nesses casos, quando não há sintomas, o acompanhamento médico costuma ser suficiente, sem necessidade de tratamento.

Por outro lado, quando se manifesta clinicamente, a doença pode comprometer bastante a qualidade de vida. Entre os principais sinais estão dor pélvica, cólica menstrual, aumento do fluxo menstrual e, em algumas situações, dificuldade para engravidar. Segundo o médico, esses sintomas também podem se confundir com outros problemas ginecológicos, como o mioma uterino, que é ainda mais frequente e pode provocar manifestações semelhantes.

O diagnóstico costuma surgir a partir de alterações observadas na parede uterina durante o ultrassom, mas a ressonância magnética também é considerada um método bastante adequado, com alta acurácia para confirmar o quadro.

O tratamento depende da intensidade dos sintomas e do planejamento reprodutivo da paciente. “Quando há necessidade de intervenção, uma das possibilidades é o tratamento clínico, com uso de hormônios como pílula anticoncepcional, DIU, anel vaginal, adesivo ou injeções. Também existem medicamentos que bloqueiam a produção hormonal, como os análogos do GnRH. Em breve, os antagonistas do GnRH também devem chegar ao Brasil, com ação semelhante. Esses medicamentos reduzem a atividade hormonal e ajudam a controlar o sangramento e a dor, mas podem provocar efeitos colaterais importantes, já que deixam a paciente em um estado semelhante ao da menopausa. Por isso, em alguns casos, é necessário associar outra medicação para minimizar esses sintomas”, explica o ginecologista.

Nos quadros mais intensos, especialmente quando a mulher já teve filhos ou não deseja engravidar, a cirurgia pode ser indicada. A retirada do útero é considerada o tratamento definitivo da adenomiose.

A orientação do ginecologista da FEBRASGO é evitar alarmismo quando a adenomiose aparece apenas como achado de exame. “Sem sintomas, a doença pode permanecer estável por toda a vida sem causar prejuízos. Já nos casos de dor e sangramento importante, buscar avaliação médica é fundamental. Com diagnóstico correto, o tratamento costuma ser bastante eficaz e pode trazer melhora significativa da qualidade de vida”, conclui.

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