Violência contra a mulher: impactos na saúde e o papel essencial do médico ginecologista

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Violência contra a mulher: impactos na saúde e o papel essencial do médico ginecologista

24 nov. de 2025

  • Mulheres expostas a agressões têm maior probabilidade de enfrentar aborto
  • 25/11 é o Dia Internacional para Eliminação da Violência contra as Mulheres

 

A violência contra a mulher permanece como uma das mais graves violações dos direitos humanos e um desafio urgente de saúde pública. Suas manifestações — físicas, psicológicas, sexuais e patrimoniais – produzem efeitos que ultrapassam o sofrimento individual e se estendem às famílias, às comunidades e a toda a sociedade.

Segundo a médica Dra. Aline Veras Morais Brilhante, ginecologista da Comissão Nacional Especializada em Violência Sexual e Interrupção Gestacional Prevista em Lei da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), os danos provocados pela violência são amplos e persistentes. “As consequências são complexas, multifacetadas e podem acompanhar a mulher por toda a vida, afetando não apenas sua saúde física e emocional, mas também seu bem-estar social, sua autonomia e seu futuro”, afirma.

Impactos na saúde sexual e reprodutiva

No âmbito físico, as agressões podem resultar em lesões de diferentes gravidades, como fraturas, queimaduras, hematomas e traumas ginecológicos. Em casos mais extremos, a violência culmina no feminicídio, expressão mais cruel da desigualdade de gênero.

A violência também compromete profundamente a saúde sexual e reprodutiva das vítimas. Mulheres expostas a agressões têm maior probabilidade de enfrentar gestações indesejadas, abortos inseguros, complicações na gravidez – como parto prematuro e aborto espontâneo -, além de infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV. A violência sexual, em especial, impõe riscos diretos ao corpo e à saúde mental da mulher.

Dra. Aline destaca que esses impactos raramente se limitam ao momento da agressão. “A exposição prolongada ao estresse e ao trauma pode desencadear síndromes dolorosas crônicas, distúrbios gastrointestinais, dores de cabeça persistentes e alterações significativas na mobilidade e no funcionamento geral do organismo”, explica.

Os danos psicológicos figuram entre os mais severos. Muitas vítimas desenvolvem Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), depressão, ansiedade, distúrbios do sono e transtornos alimentares. Além disso, há aumento do risco de abuso de substâncias e tentativas de suicídio.

O papel do ginecologista na identificação e no acolhimento

A consulta ginecológica e obstétrica, por ser um momento de intimidade e confiança, frequentemente se torna a única oportunidade para que a mulher revele o abuso. Neste caso, é papel do médico ficar atento aos sinais físicos como – hematomas, lesões genitais, traumas cicatrizados e ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) recorrentes -, que devem acender um alerta. Da mesma forma, comportamentos como hesitação ao falar, ansiedade, tristeza profunda e a presença de um acompanhante controlador também podem indicar que a mulher está em situação de violência.

Para Dra. Aline, o compromisso do especialista vai além do diagnóstico técnico. “É fundamental que o ginecologista conduza o atendimento com sensibilidade, escuta ativa e postura não julgadora, garantindo um ambiente seguro para que a paciente possa se expressar e receber ajuda de forma qualificada”, orienta.

A violência sexual é considerada uma emergência médica. O protocolo inclui profilaxia para ISTs e HIV – preferencialmente nas primeiras 72 horas -, contracepção de emergência, coleta de vestígios mediante consentimento e acolhimento psicológico e social. A notificação compulsória é obrigatória e essencial para subsidiar políticas públicas e aprimorar a rede de proteção.

O acompanhamento, entretanto, não se encerra no atendimento emergencial. O cuidado multidisciplinar deve envolver ginecologista, psicólogo(a), assistente social e outros profissionais, garantindo suporte integral à mulher.

“A recuperação demanda uma abordagem holística que una proteção, cuidado clínico, apoio emocional e autonomia econômica. É essa rede articulada que permite à mulher reconstruir sua vida e ressignificar sua história”, afirma Dra. Aline.

O enfrentamento da violência contra a mulher exige políticas públicas eficientes, formação contínua de profissionais da saúde, campanhas de conscientização e o fortalecimento das redes de apoio. A cada atendimento qualificado, abre-se uma possibilidade real de romper o ciclo da violência e garantir que a vítima seja devidamente acolhida, protegida e acompanhada. Neste sentido, a FEBRASGO busca reforçar a campanha #EuVejoVocê – Pelo fim da violência contra a mulher com notícias, informativos, vídeos, lives e infográficos para ampliar as discussão e fornecer informações sobre o assunto.

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