Sem programa de rastreamento, câncer de ovário raramente é diagnosticado precocemente, alerta FEBRASGO

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Sem programa de rastreamento, câncer de ovário raramente é diagnosticado precocemente, alerta FEBRASGO

02 maio. de 2023

Com 6 mil novos casos por ano segundo o INCA, câncer de ovário está no top 10 de doenças mais comuns entre brasileiras

 

Com incidência de 6 mil novos casos por ano no Brasil, estimados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de ovário figura entre as doenças mais comuns entre as mulheres. Entre as brasileiras, esse é o 7º tipo de câncer com maior incidência e em escala global é a 8ª neoplasia mais comum, podendo chegar a 300 mil casos novos por ano.

 

“Não tem um programa de rastreamento de câncer de ovário para mulheres da população geral, justamente porque tem muitos tumores ovarianos benignos e, ao fazer exames de imagem ou de sangue em mulheres sem sintomas, acaba se indicando muitas cirurgias desnecessárias e que apresentam complicações”, destaca a ginecologista e membro da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Oncológica da FEBRASGO, Dra. Sophie Derchain.  Como os cânceres de ovário muitas vezes aparecem rapidamente, raramente são detectados em estágios iniciais, e fazer exames periódicos não diminui a mortalidade das mulheres rastreadas”,

 

Conceitualmente, o câncer de ovário é uma neoplasia invasiva (maligna) das gônadas femininas, ou seja, uma replicação desordenada de células malignas que invadem primeiro o ovário e depois podem se espalhar para o órgãos da pelve e abdome superior, assim como as vísceras como o fígado ou o pulmão. A especialista da FEBRASGO esclarece, contudo, que é importante entender que, na maior parte das vezes, mulheres que apresentam um tumor ou cisto no ovário não têm câncer, mas sim uma lesão funcional ou benigna.

 

Perimenopausa e pós-menopausa

O câncer de ovário atinge principalmente mulheres na perimenopausa e na pós-menopausa e pode ter seu risco aumentando caso exista histórico de incidência em parentes de 1º grau, nuliparidade (condição em que a mulher é incapaz de reproduzir), idade fértil atrasada, menarca precoce, menopausa atrasada, histórico pessoal ou familiar de câncer de mama, endometrial ou de cólon. 

 

Sobre a melhor forma de prevenção, a médica diz: “Não é possível prevenir todos os tipos de cânceres de ovário, mas, gravidezes, lactação, menopausa precoce, uso de contraceptivo hormonal são associados a diminuição do risco”, afirma.

 

A origem dos carcinomas de ovário está relacionada a células que chegam ao ovário pela tuba uterina. Assim, ao indicar uma laqueadura como método contraceptivo, pode ser oferecida a salpingectomia (retirada da tuba). “Hoje se preconiza retirar a tuba quando a mulher tem uma indicação de histerectomia por doença benigna. Por fim, algumas mulheres apresentam alterações genéticas e, assim, em toda mulher com carcinoma de ovário é solicitado um painel genético que identifica essas mutações”, finaliza.

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