Segurança do paciente na Ginecologia e Obstetrícia depende de diagnóstico rápido, comunicação efetiva e avanços tecnológicos

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Segurança do paciente na Ginecologia e Obstetrícia depende de diagnóstico rápido, comunicação efetiva e avanços tecnológicos

16 set. de 2025

  • 17/9 é o Dia Mundial da Segurança do Paciente

A segurança do paciente é um dos pilares fundamentais da prática médica, especialmente em áreas como a Ginecologia e a Obstetrícia, em que diagnósticos ágeis e precisos podem definir o rumo de um tratamento e até salvar vidas. Segundo a ginecologista e obstetra Dra. Maria Auxiliadora Budib, membro da Comissão Nacional Especializada em Defesa e Valorização Profissional da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), “Um diagnóstico rápido e preciso é fundamental para a segurança da paciente, porque muitas condições ginecológicas — como endometriose, câncer de colo do útero, sangramentos anormais ou complicações na gestação — exigem intervenção precoce. Estudos mostram que atrasos no atendimento aumentam o risco de complicações, piora da qualidade de vida e até mortalidade em alguns casos”, explica a especialista.

Riscos do atraso ou erro diagnóstico

Quando há demora ou falhas no processo diagnóstico, as consequências podem ser graves:

  • Câncer ginecológico: um atraso de poucos meses pode modificar completamente o prognóstico.
  • Endometriose: o tempo médio de diagnóstico ainda varia entre 7 e 10 anos em alguns países, afetando diretamente a fertilidade e a qualidade de vida.
  • Gravidez de risco: diagnósticos incorretos podem comprometer a saúde materna e fetal.

“O atraso não é apenas uma questão de tempo, mas de impacto real sobre os desfechos clínicos”, reforça Dra. Maria Auxiliadora.

Nos últimos anos, o campo da Ginecologia e Obstetrícia tem avançado com a incorporação de tecnologias que aumentam a segurança diagnóstica. Entre elas estão:

  • Exames de imagem de alta resolução, como ultrassonografia 3D e ressonância magnética pélvica.
  • Testes moleculares e genômicos, incluindo o rastreamento de HPV DNA, que já substitui o Papanicolau isolado em diversos protocolos.
  • Painéis genéticos, como BRCA1, BRCA2 e síndrome de Lynch, que identificam mulheres com risco aumentado para câncer de mama e ovário.
  • Inteligência artificial aplicada à análise de imagens, reduzindo erros humanos.
  • Telemedicina e prontuário eletrônico, que ampliam o acesso, facilitam a integração de dados e asseguram segundas opiniões médicas.

“A literatura mostra que a combinação de recursos tecnológicos com protocolos clínicos melhora significativamente a segurança diagnóstica”, ressalta a médica.

A importância da comunicação entre médico e paciente

A especialista destaca ainda que a comunicação clara e empática é essencial para a precisão diagnóstica. “Uma anamnese detalhada só é possível quando a paciente se sente à vontade para relatar sintomas, que muitas vezes são silenciados por vergonha ou tabus. A escuta ativa reduz o risco de subdiagnóstico, enquanto orientações claras garantem adesão a exames e retornos”, afirma.

Apesar dos avanços, ainda existem barreiras significativas para a segurança da paciente. Entre os maiores desafios apontados pela Dra. Maria Auxiliadora estão: acesso desigual a exames complementares e especialistas, sobretudo fora dos grandes centros urbanos; necessidade de capacitação contínua dos profissionais de saúde; sobrecarga dos serviços, que reduz o tempo de consulta e compromete a qualidade da anamnese; quebra de tabus que retardam a busca por ajuda médica.

Superar essas barreiras, segundo a especialista, exige investimentos em tecnologia, formação médica contínua e políticas públicas que garantam acesso equitativo ao cuidado. “Garantir diagnósticos ágeis e corretos não é apenas um desafio clínico, mas um compromisso social com a vida e a saúde das mulheres”, conclui.

 

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