No Brasil, quase 19 mulheres morrem por dia vítimas do câncer do colo do útero

Compartilhe a publicação
No Brasil, quase 19 mulheres morrem por dia vítimas do câncer do colo do útero

19 jan. de 2026

#JaneiroVerde

No Brasil, os números seguem alarmantes: em média, cerca de 19 mulheres morrem todos os dias em decorrência do câncer do colo do útero, doença causada pela infecção do HPV. “É o 1º câncer que mais mata mulheres até os 36 anos de idade no país e o 2º tipo de câncer que mais mata mulheres até os 60 anos”, explica o ginecologista Dr. Agnaldo Lopes, diretor científico da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

Embora existam diferenças regionais, o impacto é nacional e reforça a urgência de ampliar o acesso à prevenção. Estimativas do INCA apontam cerca de 17 mil casos novos por ano no Brasil no triênio 2023–2025, com maior risco em estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste — um retrato de desigualdades de acesso a vacinação, rastreamento e tratamento.

O cenário global também preocupa: se nada mudar, o número anual de mortes por câncer do colo do útero pode chegar a cerca de 410 mil até 2030, contra aproximadamente 350 mil mortes em 2022 no mundo. Para especialistas, a tendência só será revertida com a combinação efetiva de vacinação, rastreamento organizado e tratamento oportuno.

Entre as principais estratégias de prevenção está o rastreamento. O exame citopatológico, conhecido como Papanicolau, segue como método seguro e eficaz e permite identificar lesões precursoras muitas vezes antes de qualquer sintoma. Já o teste molecular para detecção do DNA do HPV vem ganhando espaço e, em processos de transição, tende a substituir gradualmente o Papanicolau em diferentes contextos, ampliando a sensibilidade do rastreio e favorecendo o diagnóstico precoce.

A FEBRASGO ressalta que, na prática, o mais importante é não ficar sem rastrear. Mulheres e pessoas com colo do útero devem manter acompanhamento regular com profissionais de saúde e seguir as orientações locais do serviço (SUS e rede privada), garantindo investigação adequada e encaminhamento rápido quando houver resultado alterado.

Além do rastreamento, a prevenção começa cedo com a vacinação contra o HPV, capaz de reduzir drasticamente o risco de desenvolver câncer do colo do útero e outras doenças associadas ao vírus. No SUS, a vacina é ofertada gratuitamente para meninas e meninos de 9 a 14 anos e, como estratégia de resgate, também vem sendo disponibilizada para jovens de 15 a 19 anos em campanhas e ampliação de prazo, facilitando a proteção de quem perdeu a idade recomendada.

“É sempre importante lembrar que esse câncer pode ser evitado: vacina e rastreamento salvam vidas. Quando a prevenção funciona, reduzimos não só a mortalidade, mas também tratamentos complexos e suas consequências para a saúde e a qualidade de vida”, reforça o Dr. Agnaldo Lopes.

Para a FEBRASGO, transformar esses números passa por três frentes simultâneas: aumentar a cobertura vacinal, organizar o rastreamento (com busca ativa e acompanhamento de resultados) e garantir acesso rápido ao diagnóstico e ao tratamento. A entidade também orienta que sintomas como sangramento fora do período menstrual, sangramento após relação sexual, dor pélvica persistente e corrimento anormal merecem avaliação médica — mesmo com exames preventivos em dia.

Por fim, a FEBRASGO faz um chamado para que famílias, escolas, serviços de saúde e gestores atuem juntos: vacinar adolescentes, manter o preventivo em dia e facilitar o acesso ao cuidado são medidas concretas que podem evitar mortes que hoje ainda acontecem diariamente no Brasil.

Veja mais conteúdos

Quando um coágulo é um alerta: trombose pode revelar doenças ainda não diagnosticadas

09 out. de 2026

Quando o cuidado não chega, a violência também acontece: mulheres de regiões remotas seguem expostas à falta de assistência

09 out. de 2026

Tristeza persistente e ansiedade intensa na gravidez não devem ser normalizadas

09 out. de 2026

TSH acima de 2,5 na gravidez nem sempre significa doença da tireoide, alerta nova diretriz

05 out. de 2026

Manifesto da AMB por uma Medicina de Qualidade e uma Saúde Melhor para o Brasil

02 out. de 2026

Osteoporose antes da menopausa pode sinalizar outras doenças

02 out. de 2026

IMSRIO2026: FEBRASGO promove Simpósio sobre terapia hormonal e saúde cardiovascular

02 out. de 2026

Carta do Rio de Janeiro: Posicionamento das sociedades médicas sobre implantes hormonais manipulados

01 out. de 2026

Outubro Rosa: o que muda na saúde sexual da mulher após o câncer de mama

01 out. de 2026

Especialista da FEBRASGO alerta: Fitoterápicos para fogachos têm evidências limitadas e não devem substituir tratamentos comprovados

30 set. de 2026

IMSRIO2026 – Presidente da FEBRASGO debate a saúde cardiovascular da mulher na menopausa e a THM

30 set. de 2026

Antes do primeiro choro: nascimento seguro começa muito antes da sala de parto

25 set. de 2026