Gravidez de alto risco: condições de saúde e hábitos de vida podem impactar a gestação e exigem atenção redobrada

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Gravidez de alto risco: condições de saúde e hábitos de vida podem impactar a gestação e exigem atenção redobrada

06 abr. de 2026

A gestação é um período que requer cuidados especiais com a saúde da mulher e do bebê. De acordo com o ginecologista e obstetra Dr. Renato Teixeira Souza, membro da Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), diversos fatores podem contribuir para uma gestação de maior risco, incluindo doenças pré-existentes e condições que surgem ao longo da gravidez. “Problemas de saúde como hipertensão, diabetes, doenças tireoidianas, cardíacas, renais, asma e doenças autoimunes podem interferir diretamente na evolução da gestação. Por isso, é fundamental que o histórico de saúde da mulher seja cuidadosamente avaliado ainda no planejamento gestacional”, explica.

Além das condições clínicas, hábitos de vida também desempenham papel importante. Tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada, estresse e sobrecarga física ou emocional são fatores que podem aumentar o risco gestacional e devem ser identificados e, sempre que possível, modificados antes mesmo da gravidez.

Entre as principais doenças associadas à gestação de alto risco estão o diabetes e a hipertensão arterial. Essas condições provocam alterações no organismo materno que podem comprometer a circulação placentária (responsável pela passagem de oxigênio e nutrientes para o bebê) e afetar o ambiente intrauterino. “Quando não controladas, essas doenças podem desencadear uma série de complicações, tanto para a mãe quanto para o feto”, alerta o especialista.

No caso do diabetes, os riscos incluem pré-eclâmpsia, parto prematuro, crescimento fetal excessivo (macrossomia), malformações congênitas, especialmente cardíacas, além de complicações neonatais como hipoglicemia, desconforto respiratório e necessidade de internação em unidade de terapia intensiva. Já a hipertensão está associada a complicações como descolamento prematuro da placenta, restrição de crescimento fetal, baixo peso ao nascer, parto prematuro, hemorragia pós-parto e aumento do risco de cesariana.

A obesidade também é considerada um importante fator de risco na gestação. Atualmente, uma parcela significativa das mulheres em idade reprodutiva apresenta excesso de peso, condição que está frequentemente associada a hábitos de vida inadequados e a doenças metabólicas. Nesses casos, o planejamento da gravidez quando a saúde está mais equilibrada – aliado a acompanhamento médico, alimentação adequada e prática de atividade física – é essencial para reduzir possíveis complicações.

Outro ponto de atenção são as doenças respiratórias, como a asma. Quando não controlada, a condição pode aumentar o risco de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, parto prematuro e restrição de crescimento fetal, além de complicações neonatais. “O controle adequado da asma durante a gestação é fundamental. A interrupção do tratamento pode trazer mais riscos do que a sua continuidade, por isso o acompanhamento médico deve ser mantido desde o início do pré-natal”, orienta o médico.

Nestes casos, o pré-natal de alto risco torna-se indispensável. O acompanhamento inclui consultas mais frequentes, exames específicos e, muitas vezes, a atuação de uma equipe multidisciplinar para garantir o melhor cuidado possível. Medidas como controle rigoroso da pressão arterial, monitoramento da glicemia e uso de medicações quando indicadas são fundamentais para reduzir complicações.

Com diagnóstico precoce, orientação adequada e adesão ao tratamento, é possível conduzir uma gestação de alto risco de forma mais segura. O cuidado contínuo e individualizado é o principal aliado para proteger a saúde da mãe e promover o desenvolvimento saudável do bebê.

“Gestação de Alto Risco: o que o obstetra precisa saber” é tema do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece de 27 a 30 de maio, em Belo Horizonte.

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