Dia Mundial do Câncer

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Dia Mundial do Câncer

01 fev. de 2023

Câncer de colo de útero: chances de cura crescem a quase 100% com diagnóstico precoce

Em 4 de fevereiro é lembrado o Dia Mundial do Câncer, data com objetivo de fazer com que o tema venha ao centro do debate, visando aumentar a conscientização e incentivar o diagnóstico precoce e possibilitar às pessoas acesso a tratamento eficaz.

Realidade esta que ainda não está consolidada no Brasil. Isso porque, segundo a Fundação do Câncer, no Brasil, 65,8% das mulheres (ou seis em cada 10) com câncer de colo de útero, causado pelo HPV, esperam mais de 60 dias para conseguir iniciar o tratamento.

Professor Associado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e ICESP, o Dr. Jesus Paula Carvalho, também membro da Comissão Especializada em Ginecologia Oncológica da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), explica que o câncer de colo de útero atinge principalmente mulheres jovens (de 30 a 49 anos).

Carvalho também afirma que trata-se de uma doença que  resulta de uma infecção adquirida sexualmente, tendo como agente causador um vírus (papilomavirus humano- HPV). Existem mais de 100 tipos de HPVs. Os que mais causam o câncer do colo do útero são os HPV 16 e 18.

O médico alerta ainda que a prevenção primária começa pela vacinação. “Desde 2014 existem vacinas contra o HPV, gratuitas na rede pública de saúde, para meninas de 9 a 14 anos e também para os meninos. A importância de vacinar os meninos é para que eles não transmitam o HPV para as suas parceiras, quebrando a cadeia de transmissão. Isso evita o surgimento da doença”, explica.

Já a prevenção secundária é feita por exames que detectam a doença quando ainda não há sintomas, como o Papanicolaou ou teste para detecção do HPV. “Quando estes exames [colposcopia realizada em consultório] são positivos, a mulher é submetida a um exame para encontrar o lugar onde as células cancerosas estão se desenvolvendo e se faz uma biópsia”, elucida.

Carvalho lembra ainda que é possível fazer o diagnóstico da doença que ainda não invadiu nem se disseminou para outros órgãos, e o tratamento nessa fase inicial é muito simples e dura alguns minutos em um consultório. Nas fases avançadas, a paciente apresenta tumor ulcerado no colo do útero e faz-se uma biópsia.

Sintomas

A doença desenvolve-se ao longo de muitos anos (pode ser de mais de 10 anos). No início não apresenta qualquer sintoma, mas já pode ser detectado colhendo-se material do colo do útero e da vagina. Os primeiros sintomas aparecem muitos anos depois, na forma de sangramento durante as relações sexuais e corrimento vaginal. Nas etapas mais avançadas apresenta sangramento vaginal intenso, corrimento fétido e dor. Nas fases terminais ocorre a obstrução das vias urinárias.

Tratamento

Sobre o tratamento, o Dr. Jesus esclarece que nas fases não invasivas, em consultório, é possível retirar a lesão, cauterizar, fazer laser ou mesmo a retirada cirúrgica. Todos os métodos elevam as taxas de cura se aproximam de 100% na fase não invasiva da doença.

“Quando o tumor se torna invasivo, ainda é possível curar nas fases não muito avançadas, mas já se faz necessário retirar o útero e muitas vezes as estruturas vizinhas do útero. E quando a doença avança mais ainda, o que é muito comum no nosso meio, revela o Dr. Jesus, o tratamento é feito por radioterapia e quimioterapia. Estes tratamentos deixam sequelas importantes, comprometem a função reprodutiva e sexual e as taxas de cura são menores (cerca de 50%)”, enfatiza.

 

Câncer Endométrio

 

O Dr. Jesus expõe sobre outro tipo de tumor que precisa de atenção das mulheres. Trata-se de uma neoplasia maligna que se desenvolve nas células do endométrio, mucosa que reveste o miométrio, camada muscular localizada no corpo do útero. Durante a menstruação, o endométrio descama e sangra.

 

“O Câncer Endometrial, é um tumor que está aumentando de maneira exponencial em nosso meio. O Brasil é o terceiro país onde essa doença mais aumenta. Ocorre em mulheres na pós menopausa. Está relacionado com o uso de hormônios, a obesidade e a mudança do perfil reprodutivo das mulheres (poucos ou nenhum filho).

 

Nos últimos 50 anos, a incidência de câncer de endométrio cresceu 1000%.

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