Dia Mundial da Obesidade: FEBRASGO alerta para impactos na fertilidade, gestação e saúde ginecológica

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Dia Mundial da Obesidade: FEBRASGO alerta para impactos na fertilidade, gestação e saúde ginecológica

03 mar. de 2026

“Do ponto de vista ginecológico, combater a obesidade é essencial para preservar a saúde reprodutiva e geral da mulher em todas as fases da vida. A obesidade pode estar associada a um processo inflamatório crônico, à desregulação hormonal e a diversos riscos de saúde que afetam direta ou indiretamente a fertilidade e o sistema reprodutor”, explica o Dr. José Maria Soares Júnior, ginecologista e presidente da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Endócrina da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

Para 2026, a World Obesity escolheu como tema da campanha “8 Bilhões de Razões para Agir sobre a Obesidade”. De acordo com o Dr. José Maria, as principais razões para agir, no contexto da Ginecologia, são:

  • Preservação da fertilidade: a obesidade está associada à dificuldade para engravidar, pois pode afetar a ovulação e a qualidade dos óvulos.
  • Redução de riscos na gravidez: mulheres com obesidade têm risco significativamente maior de complicações durante a gestação, como diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, aborto espontâneo, parto prematuro e macrossomia fetal — o que pode repercutir em maiores taxas de cesariana.
  • Prevenção de cânceres ginecológicos: o excesso de tecido adiposo, especialmente na região abdominal, pode se associar à resistência insulínica e aumentar o risco de câncer de endométrio, mama e ovário.
  • Melhora da qualidade de vida: a obesidade está associada a maior incidência de sintomas climatéricos mais intensos (como ondas de calor), além de incontinência urinária, distúrbios menstruais e síndrome dos ovários policísticos (SOP). Também pode se relacionar a distúrbios do sono — condições que afetam profundamente o bem-estar físico e emocional da mulher.

A obesidade pode causar resistência à insulina e agravar desequilíbrios hormonais (como o hiperandrogenismo), interferindo na ovulação regular e na receptividade endometrial, o que dificulta a concepção. “Além disso, cerca de 40% a 85% das mulheres com SOP têm excesso de peso. A obesidade aumenta a resistência à insulina e os sintomas da SOP, criando um ciclo vicioso: quanto maior o excesso de peso, mais difícil tratar a síndrome dos ovários policísticos — e vice-versa”, afirma o médico.

Outros dados que chamam atenção: (1) mulheres com obesidade e anovulação crônica têm risco aumentado de 1,2 a 7,1 vezes para câncer de endométrio em comparação com mulheres com peso normal; (2) mulheres na menopausa e com excesso de peso relatam mais ondas de calor e suores noturnos; (3) o ganho de peso na fase climatérica pode elevar o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer; (4) a obesidade está associada a maior sobrecarga do assoalho pélvico, o que contribui para a perda de urina e o prolapso genital.

O Dr. José Maria reforça que é crucial desmistificar a abordagem da obesidade — uma doença crônica, complexa e multifatorial, que vai além da simples equação “comer menos e gastar mais”. O estigma e o preconceito enfrentados por mulheres com obesidade nos serviços de saúde são barreiras reais, e o tratamento eficaz exige uma visão integral e multidisciplinar, que pode incluir:

  • Mudança de estilo de vida (reeducação alimentar e atividade física) como pilar fundamental.
  • Acompanhamento psicológico para lidar com ansiedade, compulsão alimentar e imagem corporal.
  • Tratamento medicamentoso, quando indicado, sob rigoroso controle médico.
  • Cirurgia bariátrica para casos de obesidade mórbida (IMC ≥ 35 kg/m² com comorbidades ou ≥ 40 kg/m², sem comorbidades), com evidências de melhora da fertilidade e redução de riscos obstétricos.

Para a mulher com obesidade que deseja engravidar, ele diz “O seu desejo de ser mãe é o primeiro e mais importante passo, e a ciência mostra que você pode aumentar muito as suas chances de uma gravidez saudável agindo precocemente. Uma perda de peso de apenas 5% a 10% do peso corporal pode ser suficiente para melhorar significativamente a fertilidade, regular a ovulação e preparar o corpo para receber o bebê”. O ginecologista alerta ainda que o período da gestação não é o mais indicado para iniciar uma dieta restritiva ou o uso de medicamentos para emagrecer, como os análogos de GLP-1, que devem ser suspensos meses antes da concepção para a segurança do bebê. “Invista em um acompanhamento multidisciplinar com nutricionista, educador físico e seu ginecologista. Seu corpo e seu futuro filho agradecerão”, finaliza o médico.

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