Além do diagnóstico, início do tratamento de cânceres de mama e útero ainda é desafio no Brasil, diz presidente da FEBRASGO

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Além do diagnóstico, início do tratamento de cânceres de mama e útero ainda é desafio no Brasil, diz presidente da FEBRASGO

06 abr. de 2023

Diagnóstico precoce é a principal forma de combate contra o câncer e pode garantir um tratamento menos invasivo e com maiores chances de cura

 

O câncer continua sendo um dos principais desafios de saúde pública em todos os países do mundo. Na grande maioria, é a causa primária ou secundária de morte antes dos 70 anos, sendo consequentemente um dos principais empecilhos para o aumento da expectativa de vida da população mundial. No Brasil, foi possível observar uma melhora expressiva na distribuição de informações de qualidade sobre câncer.

 

Entretanto, com sob efeitos da pandemia, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) faz um alerta sobre o cancelamento ou reagendamento das consultas ginecológicas que, entre 2020 e 2021, caíram drasticamente, dificultando o diagnóstico dos cânceres de mama e de colo de útero, que apresentam grandes chances de cura ou remissão se identificados em estágios iniciais – este represamento ainda reflete na realidade atual.

 

De acordo com um documento sobre a estimativa de incidência de câncer, disponibilizado pelo INCA, no Brasil, para o triênio de 2023–2025, são esperados o diagnóstico de 74 mil casos de câncer de mama e 17 mil de colo de útero. “A incidência do câncer de mama tende a crescer progressivamente a partir dos 40 anos, assim como a mortalidade por essa neoplasia. O risco de óbito decorrente da doença em meio às mulheres de 60 anos é dez vezes maior se comparado àquelas com menos de 40 anos de idade”, explica o ginecologista Dr. Agnaldo Lopes, presidente da Febrasgo.

 

O médico acrescenta que fatores biológicos não são os únicos ligados ao aparecimento da doença. Aspectos sociais como baixa escolaridade e etnia não branca tornam-se indicadores que revelam as diferenças no acesso a medidas preventivas e diagnóstico precoce. “O sistema público de saúde brasileiro atende mais de 75% dos pacientes com câncer, no país. Para além do diagnóstico, temos ainda o desafio do início do tratamento. Antes da pandemia, o período entre o diagnóstico e o primeiro tratamento durava mais de 60 dias, em 58% dos casos”.

 

Prevenção e Diagnóstico precoce

O Dr. Agnaldo destaca que, diferente de outras neoplasias, o câncer de colo de útero pode ser prevenido por meio de vacinas. A imunização contra o HPV (vírus causador da doença) é altamente efetiva e promove uma diminuição significativa das infecções e, consequentemente, das lesões neoplásicas do colo do útero, responsáveis pelo potencial perda do órgão.

 

O câncer mamário, por sua vez, não dispõe de métodos preventivos bem definidos. Contudo, idade superior a 50 anos, fatores genéticos, obesidade, sedentarismo e exposições frequentes a radiações ionizantes representam agravantes para o surgimento da doença. A mamografia anual, a partir da quarta década de vida, é a principal ferramenta para o diagnóstico precoce da doença – possibilitando a indicação de tratamentos menos invasivos e maiores chances de cura.

 

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