CBGO 2026: Parceria FEBRASGO e EVA
28 maio. de 2026
A “Sessão FEBRASGO | EVA – Survivorship no câncer ginecológico: o cuidado integral da mulher” aconteceu já no primeiro dia do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, evento científico que reúne cerca de 4.300 inscritos.
“Essa parceria é muito importante e muito sólida. A FEBRASGO quer estar cada vez mais perto do EVA Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos”, declarou na abertura da sessão o Dr. Agnaldo Lopes da Silva Filho, diretor científico da FEBRASGO.
De acordo com a oncologista Dra. Andrea Paiva Gadelha Guimarães, presidente do EVA, os cânceres ginecológicos já atingem mais de 30 mil mulheres por ano. “A mensagem chave que deixo é: testar geneticamente, principalmente, o câncer de ovário, independentemente do histórico familiar da paciente; discutir sempre a preservação da fertilidade antes do início do tratamento; avaliar possível terapia de reposição hormonal; perguntar ativamente sobre questão de sexualidade, sono, e todo contexto em que ela vive”.
A Dra. Anisse Marques Chami, médica geneticista, contou que a oncogenética tornou-se uma ferramenta essencial para transformar o cuidado ginecológico em uma prática voltada para redução de risco de câncer de forma mais personalizada. De acordo com ela, “Embora seja possível melhorar as estimativas de risco, nenhum modelo conseguirá prever perfeitamente o risco individualizado, devido à complexa interação entre biologia e ambiente”.
Em sua aula, a Dra. Anisse reforçou: o aconselhamento genético não é apenas sobre testar genes; é sobre orientar decisões informadas. A geneticista considera essa estratégia fundamental para garantir que pacientes, familiares e profissionais de saúde tenham acesso a informações claras e atualizadas, favorecendo decisões mais seguras sobre as medidas de manejo e redução de risco mais indicadas para cada caso.
O Dr. Glauco Baiocchi Neto, cirurgião oncológico, destaca que quando a imunidade está baixa, as lesões podem aparecer mais rapidamente e evoluir mais depressa. O risco não fica só no colo do útero: ele também pode envolver a vulva, a vagina e o ânus.
A atenção precisa ser ainda maior em quem passou por transplante ou usa remédios que baixam muito a imunidade. Nesses casos, os médicos costumam seguir um cuidado parecido com o usado em pessoas com HIV, com exames de rotina todos os anos.
Também é importante não olhar só o colo do útero. Às vezes o HPV pode estar em outras regiões, como vulva e ânus. Por isso, o exame pode incluir inspeção dessas áreas e, em alguns casos, avaliação anal.
A vacina contra o HPV é uma das melhores formas de prevenção. O ideal é tomar antes de iniciar a imunossupressão ou antes de um transplante, quando o corpo responde melhor. Em situações de maior risco, são recomendadas 3 doses.
“Nossa maior tragédia é ver mulheres jovens morrendo por causa do câncer do colo do útero”, diz O Dr. Glauco, que também é 2º vice-presidente do Grupo EVA.
Fertilidade e Saúde Reprodutiva em Mulheres sob Risco ou Tratamento, Menopausa e Longevidade em Mulheres de Alto Risco e Sobreviventes de Câncer, Reabilitação, Sexualidade e Sobrevivência ao Câncer também fizeram parte desta sessão do primeiro dia do CBGO 2026.