Alta da maternidade não encerra o risco: FEBRASGO alerta para importância do puerpério na redução da mortalidade materna

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Alta da maternidade não encerra o risco: FEBRASGO alerta para importância do puerpério na redução da mortalidade materna

27 maio. de 2026

  • Especialista chama atenção para sinais de alerta no pós-parto e defende acompanhamento estruturado da mulher após o nascimento do bebê 
  • 28/05 – Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher e no Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna 

Em alusão ao Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher e ao Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) reforça um alerta importante: o parto não encerra o risco para a mulher. O puerpério — período que começa logo após o nascimento do bebê — exige vigilância clínica, acolhimento e acesso oportuno à rede de saúde, especialmente nos casos de maior vulnerabilidade. A atenção adequada nessa fase pode ser decisiva para evitar agravamentos e reduzir a mortalidade materna. 

Segundo a ginecologista e obstetra Dra. Inessa Beraldo de Andrade Bonomi, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco da FEBRASGO, o puerpério de alto risco envolve mulheres que permanecem mais suscetíveis a complicações graves depois do parto. Entram nesse grupo pacientes que tiveram hipertensão na gestação, incluindo pré-eclâmpsia, eclâmpsia e síndrome HELLP, hemorragias, infecções, intercorrências no parto ou na cesariana, além de mulheres com doenças crônicas que podem se descompensar nesse período. 

O ponto central é entender que o parto não encerra o risco da paciente”, afirma a especialista. “Muitas vezes, a mulher recebe alta, vai para casa e passa a ser menos observada pela equipe de saúde e até pela própria família, que naturalmente volta a atenção para o recém-nascido. Mas é justamente nesse momento que as complicações podem surgir ou se agravar.” 

Além das condições clínicas, a médica chama atenção para o maior risco de tromboembolismo no pós-parto, como trombose venosa profunda e tromboembolismo pulmonar, e destaca que mulheres em situação de maior vulnerabilidade social, com dificuldade de acesso à rede de saúde ou menor apoio familiar, também precisam de acompanhamento mais atento. 

Segundo a especialista da FEBRASGO, um puerpério bem estruturado é parte essencial da estratégia de redução da mortalidade materna. Isso inclui revisão clínica no momento certo, orientação adequada à mulher e à família, checagem de medicações, vacinas e adesão ao tratamento de doenças crônicas, além do fortalecimento do vínculo com a rede de atenção à saúde. “O acompanhamento adequado no puerpério contribui de forma decisiva para a redução da mortalidade materna porque permite reconhecer precocemente sinais de agravamento e evita atrasos no diagnóstico e na resposta ao cuidado”, explica Dra. Inessa, que coordenará uma mesa sobre Gravidez e Puerpério de Alto Risco – Fluxogramas de decisão durante o 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece de 27 a 30 de maio, em Belo Horizonte. 

Sinais de alerta no pós-parto não devem ser naturalizados – A orientação na alta hospitalar é um dos pontos centrais para aumentar a segurança no pós-parto. A especialista destaca que muitos sinais de alerta ainda são confundidos com desconfortos “esperados” da fase, quando, na verdade, podem indicar urgência médica. Entre os principais sinais que exigem atendimento rápido estão: sangramento vaginal importante, febre, falta de ar, dor no peito, dor de cabeça forte e persistente, alterações visuais, pressão alta, convulsões, dor abdominal intensa, mal-estar importante, secreção vaginal com odor desagradável, sinais de infecção na ferida operatória e inchaço excessivo. 

A FEBRASGO ressalta que a orientação sobre esses sinais deve fazer parte da chamada alta segura, conceito valorizado também pela lista de verificação para o parto seguro da Organização Mundial da Saúde. Informar a mulher e sua família sobre o que observar no retorno para casa pode fazer diferença no reconhecimento precoce de complicações. 

Outro ponto que não pode ficar fora do acompanhamento puerperal é a saúde mental. O sofrimento psíquico no pós-parto pode se manifestar com tristeza intensa, ansiedade, insônia, medo de cuidar do bebê, sensação de incapacidade, exaustão extrema e dificuldade de vínculo com o recém-nascido. Em casos mais graves, podem surgir ideias de autoagressão, risco de violência contra si mesma ou contra o bebê e sintomas psicóticos, situações que exigem atenção imediata. 

Esse olhar para a saúde mental é mais do que complementar, ele é central para prevenir desfechos graves no puerpério”, afirma a médica. Segundo ela, o sofrimento psíquico interfere diretamente na capacidade de autocuidado, na adesão aos tratamentos, na amamentação, na relação com o bebê e na organização familiar nesse período. 

A FEBRASGO reforça: reduzir a mortalidade materna passa, necessariamente, por ampliar o olhar sobre o puerpério. Mais do que uma fase de adaptação, esse período deve ser reconhecido como uma etapa crítica do ciclo gravídico-puerperal, que exige atenção integral, escuta qualificada e acesso rápido à assistência. 

63º CBGO 

Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia 

https://febrasgo.iweventos.com.br/cbgo2026 

#CBGO2026 

Data: 27 a 30 de maio de 2026  

Local: Minascentro – Belo Horizonte – Minas Gerais 

Credenciamento para imprensa: imprensa@gengibrecomunicacao.com.br 

 

Sobre a FEBRASGO 

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) é uma entidade dedicada à promoção da saúde da mulher em todas as suas fases. Atua no âmbito científico e profissional, congregando e representando ginecologistas e obstetras de todo o Brasil, com foco na educação continuada, na atualização técnica e na disseminação de conteúdo baseado em evidências e diretrizes reconhecidas. 

Reconhecida como referência nacional em saúde da mulher, a FEBRASGO promove e divulga conhecimentos em ginecologia e obstetrícia, com o objetivo de qualificar a atenção prestada por especialistas em todo o país. Além disso, desempenha papel ativo na defesa da categoria, trabalhando pelo reconhecimento e valorização dos profissionais que atuam na especialidade. 

A atuação da FEBRASGO se concretiza em diversas frentes, como de iniciativas educacionais, publicações científicas, eventos, certificações e articulações institucionais, que fortalecem a especialidade e aprimoram a qualidade do atendimento na atençãà saúde da mulher. 

Com compromisso contínuo com a ética, a excelência, valorização da especialidade e a responsabilidade social, a FEBRASGO se mantém como agente fundamental no avanço da medicina e na promoção do cuidado integral à saúde feminina. 

Comprometida com o pleno respeito à saúde e bem-estar das mulheres, a FEBRASGO lidera a Campanha #EuVejoVocê – Pelo fim da violência contra a mulher, em todas as fases da vida, incluindo a mulher médica em exercício. O objetivo é o de desconstruir discursos que sustentam a violência, promovendo uma reflexão constante sobre o tema e, assim, atuar ativamente no combate à violência contra a mulher.  

Site: https://www.febrasgo.org.br/pt/ 

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