Parto com fórceps: quando é indicado, quais os riscos e por que ainda é uma ferramenta segura na obstetrícia moderna

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Parto com fórceps: quando é indicado, quais os riscos e por que ainda é uma ferramenta segura na obstetrícia moderna

30 jan. de 2026

Cercado de tabus, o parto com uso de fórceps é um procedimento obstétrico indicado em situações específicas de urgência ou dificuldade no período final do trabalho de parto, conhecido como período expulsivo. O método é considerado seguro e eficaz quando corretamente indicado e realizado por profissionais habilitados.  

De acordo com o ginecologista e obstetra Dr. José Geraldo Lopes Ramos, membro da Comissão Nacional do Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO) da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia – FEBRASGO, o fórceps é um instrumento criado para auxiliar a finalização do parto vaginal quando há risco materno ou fetal e o nascimento precisa ser acelerado.

Entenda o procedimento

O fórceps é um instrumento metálico, que se adapta à cabeça do bebê para auxiliar sua saída pelo canal vaginal. Ele é utilizado exclusivamente no período expulsivo do parto, quando a dilatação do colo do útero já está completa e o feto encontra-se em posição adequada para o nascimento.

“O fórceps não é um método de escolha, mas de necessidade. Ele só deve ser utilizado quando os riscos do não uso são maiores do que os riscos do procedimento”, explica o especialista.

Em quais situações o fórceps é indicado

Entre as principais indicações clínicas para o uso do fórceps estão: condição fetal não tranquilizadora, quando há risco iminente para o bebê; sangramento materno excessivo no período expulsivo; falha na progressão da descida ou da rotação da cabeça fetal; período expulsivo prolongado; exaustão materna; situações em que o esforço de “fazer força” (manobra de Valsalva) é contraindicado, como na existência de doenças cardiovasculares, pulmonares ou neurológicas, descolamento de retina ou varizes esofagianas; e dificuldade ou impossibilidade do uso da prensa abdominal, como em casos de eclâmpsia, distúrbios neurológicos ou musculares, hérnias abdominais ou anestesia condutiva.

Para que o procedimento seja realizado com segurança, uma série de critérios médicos rigorosos precisa ser cumprida, como dilatação total do colo uterino, rompimento das membranas, ausência de desproporção entre a cabeça do bebê e a pelve materna, correta posição e encaixe fetal, além da presença de equipe capacitada e possibilidade de cesariana imediata, caso necessário. O consentimento informado da gestante também deve ser registrado em prontuário.

Riscos

Como qualquer intervenção médica, o parto com fórceps pode apresentar riscos, tanto maternos quanto fetais, especialmente a curto prazo. Entre as possíveis complicações maternas estão lacerações vaginais ou do colo do útero, lesões do esfíncter anal, hematomas, aumento da perda sanguínea, incontinência urinária ou fecal.

No bebê, podem ocorrer marcas temporárias na face ou no couro cabeludo, cefaloematoma, icterícia, paralisias transitórias de nervos faciais ou, mais raramente, complicações neurológicas.

Segundo o Dr. José Geraldo, é fundamental destacar que as sequelas neurológicas tardias estão muito mais associadas às condições clínicas prévias, que levaram à dificuldade do parto, do que ao uso do fórceps em si. “O parto e o fórceps, isoladamente, raramente são a causa de sequelas neurológicas”, reforça.

O mito mais comum é associar automaticamente o fórceps a danos permanentes ao bebê. A ciência e a prática médica mostram que, em situações de urgência, não utilizar o fórceps pode representar um risco maior do que utilizá-lo.

Apesar da percepção negativa herdada do passado, o fórceps segue sendo uma ferramenta atual e segura na obstetrícia moderna. “No passado, ele foi utilizado em contextos hoje considerados inadequados, quando a cesariana representava um risco muito maior. Isso contribuiu para a imagem equivocada do fórceps como um instrumento perigoso”, esclarece o médico.

Embora o uso do fórceps só seja definido no final do trabalho de parto, o tema deve ser abordado durante o pré-natal. A gestante precisa compreender em quais situações o procedimento pode ser necessário e que seu objetivo é reduzir riscos maiores.

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