Febrasgo e Ministério da Saúde reforçam alerta sobre febre do Oropouche na gestação com manual que orienta prevenção e manejo da doença

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Febrasgo e Ministério da Saúde reforçam alerta sobre febre do Oropouche na gestação com manual que orienta prevenção e manejo da doença

20 mar. de 2026

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO, em parceria com o Ministério da Saúde, elaborou o Manual de prevenção, diagnóstico e manejo da febre do Oropouche durante a gravidez, o parto e o puerpério, com o objetivo de orientar profissionais de saúde e ampliar a conscientização sobre os riscos da doença, especialmente entre gestantes.

 “O especialista em Ginecologia e Obstetrícia precisa estar atualizado quanto à orientação de gestantes e ao manejo do pré-natal, caso se depare com um caso suspeito de febre do Oropouche, pois não se trata de uma infecção habitualmente discutida e que se tornou mais prevalente a partir do surto ocorrido no Brasil em 2025”,explica a Dra. Roseli Nomura, diretora administrativa da FEBRASGO.

A publicação reúne evidências científicas atualizadas e diretrizes práticas para enfrentamento da doença, considerada uma ameaça emergente à saúde pública.

O que é a febre do Oropouche

A febre do Oropouche é uma arbovirose causada pelo vírus Orthobunyavirus oropoucheense (OROV), identificado pela primeira vez em 1955, em Trinidad e Tobago. No Brasil, os primeiros registros datam da década de 1960, com epidemias iniciais na região Norte.

A transmissão ocorre principalmente pela picada do inseto Culicoides paraensis, conhecido popularmente como maruim ou mosquito-pólvora. No ambiente urbano, o ser humano atua como principal hospedeiro do vírus.

A doença apresenta maior incidência em períodos chuvosos e em áreas com presença de matéria orgânica e vegetação densa, condições ideais para a proliferação pela transmissão.

Principais sintomas e diagnóstico

Os sintomas da febre do Oropouche são semelhantes aos de outras arboviroses, o que dificulta o diagnóstico clínico. Entre os principais sinais da febre do Oropouche destacam-se a febre alta de início súbito, a dor de cabeça intensa, as dores musculares e articulares, a dor retro-ocular (atrás dos olhos), além de náuseas, vômitos e um cansaço intenso, que podem comprometer significativamente o bem-estar do paciente durante o curso da doença.

Em alguns casos, podem ocorrer manifestações mais graves, como meningite, encefalite e alterações de coagulação  –  embora sejam raras.

A doença costuma ter evolução limitada, com duração de 2 a 7 dias, mas pode apresentar recaída dos sintomas após uma ou duas semanas.

O diagnóstico da febre do Oropouche deve ser fundamentado em três pilares essenciais: a avaliação clínica, baseada na identificação dos sintomas; o histórico epidemiológico, considerando a possível exposição a áreas com circulação do vírus; e a realização de exames laboratoriais. A confirmação por meio de testes laboratoriais é indispensável, especialmente em gestantes, devido à semelhança do quadro clínico com outras arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, o que exige maior precisão diagnóstica.

Riscos durante a gravidez

Um dos principais pontos de alerta do manual é o impacto da infecção pela febre do Oropouche na gestação.

Segundo dados do documento foram identificados casos com presença do vírus na placenta, no sangue de recém-nascidos e em tecidos fetais, reforçando a necessidade de vigilância. Embora ainda existam lacunas científicas, já há evidências consistentes que apontam para possíveis complicações associadas à infecção, entre elas a transmissão vertical (da mãe para o feto) , além de abortamento, morte fetal, parto prematuro, restrição do crescimento fetal e malformações do sistema nervoso central, incluindo microcefalia, o que reforça a necessidade de atenção redobrada durante a gestação.

Como não há vacinas nem tratamento antiviral específico disponíveis, a prevenção torna-se a principal forma de proteção contra a febre do Oropouche. Nesse sentido, recomenda-se o uso de roupas que cubram a maior parte do corpo, a aplicação regular de repelentes, a instalação de telas em portas e janelas, a evitação de exposição nos horários de maior atividade do inseto , especialmente ao amanhecer e ao entardecer, além da manutenção de ambientes limpos, sem acúmulo de matéria orgânica, a fim de reduzir a proliferação dos vetores.

O manual também orienta cuidados adicionais, como evitar doação de sangue por pelo menos quatro semanas após a infecção e uso de preservativos por até seis semanas, diante da possibilidade ainda não confirmada de transmissão sexual.

Importância do manual

A iniciativa da FEBRASGO e do Ministério da Saúde representa um avanço significativo na resposta à febre do Oropouche, especialmente no contexto da saúde materna.

Ao sistematizar informações sobre prevenção, diagnóstico e manejo clínico, o documento fortalece a atuação dos profissionais de saúde e contribui para a redução de riscos em um cenário ainda marcado por incertezas científicas.

A orientação é clara: diante de sintomas compatíveis, especialmente em áreas com circulação do vírus, a busca por atendimento médico imediato é fundamental — sobretudo para gestantes.

Acesso ao manual: https://www.febrasgo.org.br/pt/manuais-de-prevencao/category/febre-do-oropouche-durante-a-gravidez-parto-e-puerperio

 

 

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