Febrasgo atualiza sobre dificuldade de aquisição da Ocitocina sintética e sugere plano de contingência

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Febrasgo atualiza sobre dificuldade de aquisição da Ocitocina sintética e sugere plano de contingência

25 fev. de 2022

São Paulo, fevereiro de 2022.

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) tem recebido relatos de dificuldades na aquisição comercial do medicamento ocitocina sintética no mercado farmacêutico. Alguns laboratórios anunciaram paralisação definitiva ou temporária de sua produção. E assim, um único laboratório ficou responsável por suprir as necessidades do mercado brasileiro.

 
O presidente da Comissão Nacional Especializada (CNE) em Assistência ao Aborto, Parto e Puerpério, Dr. Alberto Trapani Júnior, comenta que a substância é fundamental na assistência obstétrica moderna. Sua escassez pode comprometer a qualidade da assistência e aumentar o risco de óbito materno. “A falta de ocitocina compromete a correção do trabalho de parto disfuncional, a indução do trabalho de parto, a profilaxia e o tratamento da hemorragia puerperal. O gestor deve ficar atento à relação entre o consumo e estoque da medicação. Na situação de risco de desabastecimento, aconselho medidas de economia, com um protocolo de contingência. Caso a falta seja inevitável, um estoque mínimo deve ser mantido apenas para urgências e emergências”. Segundo o Dr. Trapani, alguns serviços de saúde iniciaram planos de contingência, com adoção de um protocolo inicial. 
 
Tendo em vista a necessidade vital que a obstetrícia tem deste medicamento para indução-condução de parto e para evitar e tratar hemorragia pós-parto, a Febrasgo participou, por meio da presença da Dra. Rosiane Mattar, presidente da CNE de Gestação de Alto Risco da Febrasgo, de reunião com representantes da União Química, laboratório que continuará produzindo o medicamento, mostrando essa  preocupação.
Segundo relato da Dra. Rosiane Mattar, nessa reunião, o laboratório assumiu o compromisso de produzir 85.000 caixas (4.250.000 ampolas), em fevereiro, de seu produto Oxiton, que serão disponibilizados no mercado brasileiro, a partir de março de 2022. O laboratório disponibilizou canal de comunicação para esclarecimento e para solicitações por Instituições públicas e/ou privadas, que vamos inserir aqui como uma facilitação da Febrasgo aos seus associados. Gerente de Licitação: Maria Yone M G de Ramos. e-mail: myramos@uniaoquimica.com.br, fone:11.55862095 e 11.950825755
Sendo assim, pelo que pudemos apurar, não haverá falta de ocitocina para assistência, pois o mercado será abastecido a tempo, no entanto, a Febrasgo continuará acompanhando de perto este tema e caso novas informações surjam, atualizará seus associados.

PLANO DE CONTINGÊNCIA PARA O DESABASTECIMENTO DE OCITOCINA 

 
Considerando: 

1. Que há um desabastecimento parcial de ocitocina no Brasil; 
2. Que existem regiões e instituições em situações diversas quanto ao estoque disponível. 
Essa comissão vem compartilhar uma sugestão de plano de contingência: 
Inicialmente os gestores devem fazer um levantamento do estoque, ritmo de consumo e previsão de entrega da medicação pelos distribuidores. 
 
 
A – Na situação de risco real e significativo de falta da medicação a médio prazo, adotar as seguintes medidas: 
 
1. USO DURANTE A INDUÇÃO/TRABALHO DE PARTO: 
1.1. Sempre que possível, dar preferência aos processos de indução sem o uso de ocitocina. 
1.2. Confirmar sempre a necessidade de indução do parto. 
1.3. Utilizar ocitocina durante o trabalho de parto apenas quando hou-ver um diagnóstico inequívoco de distócia hipotônica. 
1.4. Não utilizar ocitocina quando a dinâmica uterina esteja normal ou possa ser corrigida com métodos não farmacológicos. 
 
 
2. NA PROFILAXIA DE HEMORRAGIA PÓS PARTO: 

2.1. Substituir a ocitocina por metilergometrina 1 mL (0,2 mg) em injeção intramuscular ou misoprostol via retal 600 mcg; 
2.2. Em pacientes com síndromes hipertensivas não usar a metilergometrina (manter a ocitocina 10 U IM); 
2.3. As recomendações também valem para a cesariana, quando a ocitocina só deve ser administrada, quando necessária, durante a cirurgia ou nas puérperas hipertensas. 
 
3. NA HEMORRAGIA PÓS-PARTO: 

3.1. Manter o protocolo existente. 
 
 
B – Na situação de risco de falta imediata da medicação, reservar um estoque mínimo necessário para situações de urgência, como os casos de hemorragia pós-parto. 

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