CBGO 2026: Programação científica abre com debates sobre terapia hormonal e saúde da mulher na menopausa
28 maio. de 2026
O primeiro dia do CBGO 2026 realizado nesta quarta-feira (27), no Minascentro, em Belo Horizonte, reuniu ginecologistas e especialistas de diversas regiões do país para discutir os principais avanços e desafios relacionados à terapia hormonal na menopausa. A programação científica contou com oito aulas voltadas ao tema “Terapia hormonal: riscos e benefícios”, abordando questões práticas e atualizadas da assistência à saúde feminina. A sessão foi coordenada pela Dra. Lucia Helena Simões da Costa Paiva, presidente da CNE em Climatério.
Entre os assuntos discutidos estiveram ganho de peso na menopausa, gordura abdominal, saúde cardiovascular, risco de câncer de mama, diferentes vias de administração hormonal e o uso da testosterona no climatério. O objetivo foi levar aos profissionais informações baseadas em evidências científicas para auxiliar na tomada de decisão clínica e no acompanhamento individualizado das pacientes.
A Dra. Lucia Helena destacou a grande adesão dos participantes ao curso pré-congresso de climatério. “Tivemos o curso com a sala cheia. Existe uma procura muito grande, porque muitas mulheres estão buscando tratamento e os ginecologistas vêm procurando mais informação. Houve bastante participação e perguntas. Foi bastante interessante e produtivo para todos”, afirmou.
O Dr. Rodolfo Strufaldi, ginecologista, membro da CNE em Climatério, ressaltou a importância da reposição hormonal para a qualidade de vida da mulher durante a menopausa. Segundo ele, o estradiol, hormônio produzido naturalmente pelos ovários ao longo da vida reprodutiva, exerce funções fundamentais para a saúde feminina. “Com a chegada da menopausa, a redução desse hormônio pode aumentar o risco cardiovascular, favorecer a osteoporose, causar alterações no sono e provocar sintomas geniturinários, impactando diretamente a qualidade de vida”.
O médico também destacou o conceito da chamada “janela de oportunidade”, período nos primeiros anos após a menopausa em que a terapia hormonal pode trazer benefícios importantes para a saúde óssea, sintomas vasomotores, sono e bem-estar geral da mulher.
Já a ginecologista Dra. Maria Celina Mendes, da mesma CNE, abordou uma das dúvidas mais frequentes nos consultórios: a relação entre a terapia hormonal e o ganho de peso. “O aumento de peso na menopausa está mais relacionado às mudanças naturais do organismo feminino do que à reposição hormonal em si. A maioria dos estudos mostra que a terapia hormonal não provoca ganho de peso, embora pesquisas recentes indiquem que alguns esquemas terapêuticos possam aumentar ou diminuir o peso. Ainda são necessários estudos mais amplos para conclusões definitivas”, explicou.
Também integrante da Comissão Nacional Especializada de Climatério, a ginecologista Rita de Cássia de Maio Dardes destacou a importância de uma abordagem individualizada da síndrome geniturinária da menopausa, levando em consideração os sintomas e o impacto na qualidade de vida de cada paciente. Segundo a especialista, o tema vem ganhando maior relevância, especialmente entre mulheres sobreviventes ao câncer, que frequentemente enfrentam dificuldades relacionadas à saúde íntima e à função sexual. A médica também ressaltou a necessidade de ampliar as discussões sobre terapias hormonais e tratamentos disponíveis, além de citar dois artigos recentes que revisam consensos e estratégias para o manejo dessas condições.
O primeiro dia do congresso reforçou a importância da atualização científica contínua sobre climatério e menopausa, temas cada vez mais presentes na prática clínica e na busca por qualidade de vida das mulheres.