CBGO 2026: Pacto FEBRASGO reforça compromisso nacional pela redução da mortalidade materna
28 maio. de 2026
A redução da mortalidade materna é um desafio que exige compromisso coletivo, articulação institucional e fortalecimento da assistência à saúde da mulher em todo o país. Durante o CBGO 2026, a FEBRASGO reforça esse compromisso com o Pacto Nacional pela Redução da Morte Materna, iniciativa apoiada por suas federadas e voltada ao enfrentamento das mortes maternas evitáveis no Brasil.
Para a Dra. Rossana Pulcineli Vieira Francisco, presidente da Comissão Nacional Especializada em Mortalidade Materna da FEBRASGO, o tema precisa ser compreendido como uma responsabilidade de toda a sociedade.
“A redução da mortalidade materna tem que ser vista como algo político, mas não apenas dos políticos. É uma ação de todos nós, como cidadãos, exercendo nossos direitos e nossas influências políticas. Para que essa redução aconteça, é necessário o envolvimento de todos. Nós, como obstetras e ginecologistas, estamos o tempo todo voltados à saúde da mulher e nos colocamos na defesa das mulheres para reduzir todas as mortes que são evitáveis. É importante lembrar que a maioria das mortes maternas no nosso país pode ser evitada”, declara.
As mortes maternas evitáveis são aquelas que ocorrem em situações para as quais já existem protocolos definidos, conhecimento técnico disponível e condutas estabelecidas. Ainda assim, muitas mulheres continuam morrendo por causas que poderiam ser prevenidas ou tratadas adequadamente.
Segundo a Dra. Rossana, esse cenário evidencia a importância de ampliar o debate e fortalecer ações concretas. “É nesse sentido que precisamos do nosso desenvolvimento político. A FEBRASGO, ao criar a Comissão Nacional Especializada pela Redução da Morte Materna – um grupo de trabalho com representantes de todos os estados do país – deu um passo importante. Ao propor às federadas um Pacto Nacional pela Redução da Morte Materna, a FEBRASGO assume publicamente o compromisso de trabalhar para que possamos avançar nessas questões”, afirma.
Principais causas exigem respostas conhecidas e efetivas
No Brasil, grande parte das mortes maternas está relacionada a hipertensão, hemorragias e infecções. São situações para as quais já existem protocolos clínicos bem estabelecidos, mas que ainda exigem avanços na organização da rede de atenção, no acesso ao cuidado e na qualidade da assistência.
A melhoria do pré-natal é um dos pontos centrais para esse enfrentamento. O acompanhamento adequado permite o diagnóstico precoce da hipertensão, a prevenção e o tratamento da anemia e a identificação de fatores que possam aumentar riscos durante a gestação, o parto e o puerpério.
A atenção ao período pós-parto também precisa ser fortalecida. A especialista alerta que sinais como febre, dor intensa, sangramentos importantes, mal-estar persistente ou outros sintomas de alerta não devem ser naturalizados. O cuidado no puerpério é parte essencial da assistência materna e pode ser decisivo para evitar complicações graves.
Assistência estruturada e profissionais especializados
A médica também destaca a necessidade de fortalecer os ambulatórios especializados em gestação de alto risco e valorizar a atuação dos obstetras no cuidado das gestantes que demandam acompanhamento diferenciado.
“Precisamos muito desse profissional especializado para fazer o cuidado dessas gestantes de alto risco. Também precisamos de hospitais com plantonistas 24 horas, redução das taxas de cesárea, maternidades com acesso a sangue e locais preparados para atender mulheres com sinais de iminência de eclâmpsia ou eclâmpsia, com disponibilidade de sulfato de magnésio”, enumera a Dra. Rossana.
A médica também reforça a importância da corresponsabilidade entre os diferentes pontos da rede de atenção, para que gestantes e puérperas tenham acesso oportuno ao atendimento adequado, especialmente em situações de urgência.
Protagonismo em defesa da saúde das mulheres
Ao levar o Pacto Nacional pela Redução da Morte Materna para a Assembleia Geral de Federadas, a FEBRASGO reafirma seu papel institucional na defesa da saúde das mulheres brasileiras. A iniciativa amplia o debate, mobiliza especialistas e federadas em todo o país e reforça a necessidade de transformar conhecimento técnico em ações efetivas.
“Quando a FEBRASGO decide levar esse pacto à Assembleia Geral de Federadas, com apoio de todas elas, assume o protagonismo de colocar esse assunto em discussão e de se posicionar em defesa da saúde das mulheres”, destaca a Dra. Rossana.
A especialista lembra ainda uma mensagem frequentemente utilizada pela Organização Mundial da Saúde: é preciso sobreviver para prosperar. No contexto da mortalidade materna, isso significa garantir que cada mulher tenha a oportunidade de viver, desenvolver plenamente seu potencial e exercer seu papel na sociedade.
“O Pacto FEBRASGO pela redução da morte materna é pelo fim das mortes maternas evitáveis. É para que as mulheres possam sobreviver, desenvolver todo o seu potencial e assumir seu papel de relevância na transformação do nosso país. Tenho certeza de que, juntos, vamos conseguir esses resultados”, conclui.