Pesquisa relaciona fumo na gestação e meningite em bebês

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Pesquisa relaciona fumo na gestação e meningite em bebês

22 abr. de 2017

Os prejuízos do fumo durante a gestação são há muito conhecidos por médicos e pacientes. Um único cigarro é capaz de acelerar os batimentos cardíacos do feto e alterar seu desenvolvimento. Agora, um novo estudo estabelece a relação entre o tabagismo e a meningite: o risco de o bebê desenvolver a doença é três vezes maior se sua mãe fumou durante a gestação.  Além disso, o fumo passivo durante a infância duplica as chances do aparecimento do problema. Essas foram as conclusões da pesquisa realizada na Universidade de Nottingham, no Reino Unido, que analisou 18 estudos anteriores sobre o tema.

Para Renato Sá, presidente da Comissão Nacional Especializada em Medicina Fetal da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia – Febrasgo, uma hipótese para esse aumento dos riscos seria a Teoria de Baker:

“O epidemiologista David Baker observou que existe uma relação entre o peso de um bebê ao nascer e o surgimento de doenças cardíacas e cerebrais na idade adulta. Parece que quando um feto recebe pouco oxigênio, ele sacrifica o seu próprio crescimento e gera alterações importantes nas funções do coração e cérebro. Assim, as variações normais na transferência de alimento das mães para os bebês têm profundas implicações de longo prazo para a saúde da geração seguinte”.

As últimas descobertas mostram que a composição do corpo da mulher e da dieta no momento da concepção e durante a gestação têm efeitos importantes sobre a saúde posterior dos filhos.

“Se pudermos fazer uma correlação desta teoria com o fumo, é possível que o efeito em relação à meningite esteja relacionado ao mesmo mecanismo: uma alteração intraútero do sistema imune fetal, à semelhança do que ocorre posteriormente na infância”, explica Sá.

Outros riscos

Eduardo Fonseca, Presidente da Comissão Nacional Especializada em Perinatologia da Febrasgo alerta que a gestante que fuma tem o dobro de chance de ter um recém-nascido classificado como baixo peso (<2.500 gramas) e com menor comprimento.  Alguns trabalhos sugerem também maior prevalência de aborto espontâneo, partos pré-termos, baixo peso ao nascer, mortes fetais e de recém-nascidos, entre outras consequências. “Estes problemas se devem, principalmente, aos efeitos nocivos do monóxido de carbono e da nicotina sobre o feto, após a absorção pelo organismo materno”, afirma Fonseca.

Nicotina via leite materno

A mãe que fuma no período de amamentação coloca em risco à saúde de ambos, pois a nicotina passa pelo leite e é absorvida pelo bebê. Com isso, crianças amamentadas por mães fumantes têm ganho de peso em até 40% mais lento.

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