Obesidade pode implicar em problemas ginecológicos, afirma especialista da FEBRASGO

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Obesidade pode implicar em problemas ginecológicos, afirma especialista da FEBRASGO

02 mar. de 2023

A obesidade afeta mais mulheres do que homens e deixa a mulher vulnerável a muitos problemas de saúde

 

Publicado em 2022 pela Federação Mundial de Obesidade, o Atlas da Obesidade apontou que até 2030 no Brasil, 29,7% da população adulta viverá com obesidade, sendo 33,2% desse total mulheres. A Dra. Gabriela Pravatta Rezende, membro da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Endócrina da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), explica que a obesidade é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica e que está atrelada a diversos problemas de saúde.

 

Quando se fala sobre a saúde ginecológica da mulher, pensa-se tanto na questão da menstruação quanto de fertilidade e de outras doenças que podem estar associadas à obesidade  como um fator de risco. “Sabemos que a obesidade está relacionada a muitas alterações do ponto de vista endocrinológico, porque o tecido gorduroso, que se chama de tecido periférico, é capaz de produzir alguns hormônios”, comenta Dra. Gabriela.

 

A Dra. explica que obesidade aumenta o risco de resistência insulínica, que é uma condição que pode afetar o ciclo menstrual. Ela pode também aumentar a prevalência da Síndrome de Ovários Policísticos, uma complicação metabólica bastante complexa. “Isso afeta não só a questão menstrual, pois a mulher passa a não menstruar adequadamente, porque é uma síndrome que bloqueia a ovulação, como também está relacionada ao aumento dos hormônios masculinos e também à infertilidade”, adiciona a ginecologista.

 

Há também uma relação entre a obesidade e o sangramento menstrual aumentado. “Os hormônios produzidos pelo tecido gorduroso, principalmente o estrogênio, na forma da estrona, pode aumentar o risco de câncer de endométrio e de hiperplasia de endométrio, que o endométrio fica mais espesso e isso também está relacionado ao sangramento uterino aumentado”, explica.

 

A obesidade também pode aumentar o risco do câncer de mama, devido à produção de hormônios no tecido periférico (gorduroso). Em adolescentes, a obesidade causa cólicas muito fortes durante o período menstrual e pode acelerar o processo de puberdade. Portanto, mulheres obesas têm mais chance de passar pela puberdade precocemente.

 

Já no climatério, a mulher obesa tem maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares: infarto, AVC, angina e mais complicações. Principalmente durante esse período, a obesidade aumenta as chances de câncer de ovário. “O aumento de peso está associado a mais ou menos 3% na incidência do câncer de ovário por década”, completa.

 

Sobre os cuidados que a mulher obesa deve ter sobre sua saúde são os mesmos cuidados que toda mulher deve ter: realizar exames laboratoriais com frequência e exames mais específicos, como mamografia, ultrassom de mama e transvaginal, entre outros. Cuidados com a alimentação e exercícios físicos também são recomendados. “A mulher deve estar atenta a sua saúde no ponto de vista global”, conclui a Dra.   

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