O uso do AAS na prevenção da Pré-Eclâmpsia

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O uso do AAS na prevenção da Pré-Eclâmpsia

01 dez. de 2017

O uso do AAS na prevenção da Pré-Eclâmpsia

        Muito se fala sobre o uso do ácido acetil salicílico na prevenção da pré-eclâmpsia, no entanto, seu uso ainda é pouco disseminado.

        Uma meta-análise de 59 estudos publicada em 2007 já mostrava uma redução no risco de pré-eclâmpsia na ordem de 17% (RR: 0,83 – IC: 0,77 a 0,89) com necessidade de tratar 72 pacientes para evitar cada caso. Quando eram selecionadas apenas as pacientes de maior risco, o número necessário para tratar (NNT) era ainda melhor: 19.1

        Parte da dificuldade em se indicar seu uso se deve à dúvida que os obstetras ainda tem sobre quem seriam as candidatas, qual a dose ideal e quando iniciar a prevenção.

        Há um consenso que a dose ideal deveria ser acima de 75mg, pois estudos que usaram doses inferiores não mostraram benefícios.2 Seu uso deveria ser iniciado logo após o término do primeiro trimestre, ao redor de 12 semanas e idealmente abaixo de 16 semanas. O início da profilaxia até as 20 semanas é aceitável, mas acima dessa idade parece já não haver um benefício significativo.3

         A indicação do AAS pode ser baseada em critérios clínicos ou em exames complementares. Enquanto a indicação por exames alterados depende da disponibilidade dos mesmos, a indicação por critérios clínicos depende apenas de uma boa anamnese. Várias sociedades internacionais já se manifestaram sobre tal profilaxia, listando os principais fatores de risco que indicariam seu uso.

A tabela abaixo compila as principais indicações:

tabela

USPTF: United States Preventive Task Force; ACOG: American College of Obstetrics and Gynecologists; NICE: National Institute of Clinical Excellence; OMS: Organização Mundial da Saúde.

Independente do critério utilizado é importante que ajudemos a disseminar essa prática que é simples, barata e tem potencial para beneficiar um grande número de pacientes.

Mário Dias Corrêa Júnior MD, PhD

Prof. Associado do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia UFMG

Coordenador Clínico da Maternidade do Hospital das Clínicas da UFMG

Membro CNE-Hipertensão FEBRASGO

  1. Duley L, Henderson-Smart DJ, Meher S, King JF. Antiplatelet agents for preventing pre-eclampsia an its complications. Cochrane Databese Syst Rev. 2007; 02: CD004659.

  2. Jackson JR, Gregg AR. Updates on the Recognition, Prevention and Management of Hypertension in Pregnancy. Obstet Gynecol Clin N AM. 2017; 44: 219-30.

  3. Bujold E, Morency AM, Roberge S, Lacasse Y, Forest JC, Giguère Y. Acetylsalicylic acid for the prevention of preeclampsia and intra-uterine growth restriction in women with abnormal uterine artery Doppler: a systematic review and meta-analysis. J Obstet Gynaecol Can. 2009;31(9):818-26.

  4. Henderson JT, Whitlock EP, O’Connor E, et al. Low-dose aspirin for prevention of morbidity and mortality from preeclampsia: a systematic evidence review for the U.S. Preventive Services Task Force. Ann Intern Med 2014;160:695–703.

  5. American College of Obstetricians and Gynecologists. Task Force on Hypertension in Pregnancy. ACOG Hypertension in Pregnancy Task Force. Washington, DC: American College of Obstetricians and Gynecologists; 2013.

  6. NICE National Institute for Health and Care Excellence. Hypertension in pregnancy: diagnosis and management. NICE-National institute for Health and Care Excellence Guideline. 2010. Available at: http://nice.org.uk/guidance/cg107.

  7. WHO recommendations for prevention and treatment of pre-eclampsia and eclampsia. 2011. Available at: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/44703/1/9789241548335_eng.pdf.

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