Menstruação, anticoncepcional e vida sexual: ginecologista esclarece seis dúvidas das adolescentes
21 set. de 2026
- Libido e higiene íntima também estão entre os temas que mais geram dúvidas nessa fase da vida
- 22/09 – Dia Nacional da Saúde de Adolescentes e Jovens
A Dra. Rosana Maria dos Reis, ginecologista da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia na Infância e Adolescência da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), responde a dúvidas comuns de consultório. Para ela, informação de qualidade é essencial para que a adolescente compreenda as mudanças do próprio corpo e tome decisões mais seguras sobre sua saúde.
- Irregularidade no ciclo menstrual é comum na adolescência?
Sim. Segundo a especialista, é muito comum nos primeiros anos após a menarca, nome dado à primeira menstruação, principalmente nos dois primeiros anos. “O sistema hormonal ainda está amadurecendo. Isso faz com que os ciclos sem ovulação sejam frequentes, o que pode provocar atrasos ou sangramentos imprevisíveis sem que isso represente, necessariamente, uma doença”, explica.
- O uso de anticoncepcionais na adolescência pode trazer problemas de saúde no futuro?
De acordo com Dra. Rosana, os riscos de longo prazo são mínimos quando o método é corretamente indicado, e os benefícios costumam superar os riscos. “Os contraceptivos modernos são seguros, ajudam a prevenir a gravidez não planejada e podem contribuir para o controle de cólicas e fluxos menstruais intensos. Eles não causam infertilidade”, afirma.
Um dos pontos de atenção é a densidade óssea, ainda em formação nessa fase da vida. Por isso, a escolha do método deve ser individualizada e feita com orientação médica.
- Existe uma idade considerada adequada para iniciar a vida sexual?
Mais do que estabelecer uma idade isolada, é importante considerar informação, autonomia e maturidade. “Do ponto de vista da saúde, esse início deve acontecer quando a adolescente tem informação sobre prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e gravidez, autonomia para decidir sem pressões externas e já passou pelas fases iniciais da puberdade”, orienta.
A especialista ressalta ainda que a iniciação sexual muito precoce exige atenção especial, inclusive do ponto de vista de proteção e cuidado.
- É normal não ter interesse por sexo na adolescência?
Sim. A sexualidade está em fase de descoberta e o interesse sexual pode variar bastante. “Essa oscilação pode estar ligada a questões emocionais, insegurança com o corpo, ansiedade, pressões sociais ou simplesmente ao fato de a adolescente ainda não se sentir pronta ou interessada”, explica Dra. Rosana.
- Qual é a melhor opção para a saúde vaginal: absorvente, calcinha absorvente, coletor, disco ou absorvente interno?
Não existe uma única opção melhor para todas. A escolha depende da adaptação, do conforto e da rotina de cada adolescente. “O mais importante é respeitar o tempo de troca e os cuidados de higiene. Absorventes externos e internos devem ser trocados regularmente, em geral a cada quatro a seis horas; já coletores e discos podem permanecer por até 12 horas, para evitar a proliferação de bactérias e abafamento da região”, explica.
- Em que idade a adolescente deve começar a observar as mamas?
Na adolescência, o principal objetivo é conhecer o próprio corpo e perceber mudanças. A partir do desenvolvimento das mamas, a jovem pode observar alterações como nódulos endurecidos, mudanças na pele ou saída espontânea de secreção pelo mamilo. Caso perceba alguma alteração persistente, deve procurar avaliação médica.
Para Dra. Rosana, a primeira consulta com o ginecologista também tem papel importante nessa fase. “O principal desafio hoje é a desinformação vinda das redes sociais. Muitas adolescentes baseiam sua saúde em vídeos de internet, o que pode gerar diagnósticos errados e pânico desnecessário. A primeira consulta com o ginecologista deve acontecer logo após a primeira menstruação, não para exames invasivos, mas para criar um espaço seguro de diálogo, acolhimento e educação sexual preventiva”, finaliza.