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Febrasgo prestigia lançamento de manual que revisa procedimentos ambulatoriais de Endocrinologia Ginecológica

No último dia 15 de agosto, a Febrasgo esteve no lançamento do livro Manual de Endocrinologia Ginecológica, realizado na cidade mineira de Juiz de Fora. Na ocasião, o presidente da Entidade, Dr. César Eduardo Fernandes, palestrou sobre o uso de androgênios na ginecologia e prestigiou a publicação do trabalho. A obra tem escrita e edição das professoras da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora Danielle Guedes Ezequiel, Denise Drumond, Fernanda Polisseni e Lize Vargas.
 
O manual nasceu com o objetivo de uniformizar o atendimento ambulatorial do Hospital Universitário da instituição e ser utilizada como fonte de estudos para a prática médica de profissionais de todo o País. O livro foi produzido ao longo de dois anos e surge com a expectativa de “facilitar o diagnóstico e tratamento das doenças abordadas”, revela a Dra. Denise Drumond.
 
O livro contém 17 capítulos e se destina a estudantes, residentes e profissionais de ginecologia, obstetrícia, endocrinologia e outras especialidades. Segundo o presidente da Febrasgo, “é de fundamental importância a revisão e alinhamento de diretrizes de atendimento. Para além da busca por uma universalização do atendimento de qualidade, o Manual serve como lugar de consulta e parâmetro para novos profissionais embasarem suas atividades, sobretudo ao considerarmos um território tão dispare em estruturas de saúde, como o nosso país”.
 
“A participação da Febrasgo foi fundamental no lançamento de nosso livro, não só abrilhantando o evento com a palestra realizada pelo professor César Eduardo Fernandes, como chancelando o valor da obra. Ademais, a entidade colabora, de forma efetiva, para divulgação do livro em todo território nacional”, completa a médica.

Educação para aleitamento materno ainda é desafio

A chegada do Agosto Dourado traz consigo atenção redobrada à necessidade de ampliação da amamentação no Brasil. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, menos de 40% dos bebês de até seis meses de idade são alimentados exclusivamente de leite materno. Diante da importância do assunto, o tema foi abordado na revista Femina e no portal ELA.
 
Ao considerar que 60% das gravidezes não são planejadas, a conscientização sobre amamentação e correta alimentação de bebês torna-se ainda mais latente. O assunto carece especial cuidado desde a assistência pré-natal, sobretudo, em meio a gestantes nulíparas e/ou com perfil que apresente vulnerabilidade social, como as adolescentes, e com antecedentes de saúde que possam interferir no processo gestacional.
 
Nesse contexto, o presidente da Comissão Nacional Especializada de Aleitamento Materno da Febrasgo, Dr. Corintio Mariani Neto, reitera que “amamentar na adolescência costuma ser acompanhada de grande carga emocional. Medo, imaturidade, ansiedade e inexperiência com a nova condição de mãe podem resultar, com frequência, em isolamento – o que pode levá-las a amamentar seus filhos por tempo inferior ao preconizado pela OMS”.

10 Realizações Febrasgo

Ao completar 60 anos, a Febrasgo revê sua trajetória e pontua as principais conquistas de sua história recente. São iniciativas e parcerias que proporcionam melhores possibilidades de educação e trabalho para estudantes e profissionais de ginecologia e obstetrícia, impactando diretamente mulheres em suas rotinas de prevenção, cuidados e tratamentos.

Dentre tantas ações, algumas geraram especial impacto, expertise ou orgulho por terem sido viabilizadas. É o caso da Reestruturação e modernização das provas para o Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (Tego) e da elaboração de 120 protocolos de atendimento que visam uniformizar condutas e procedimentos dos ginecologistas e obstetras, com base em evidências científicas e melhores práticas, além da produção da série Posicionamento Febrasgo, que traz recomendações oficiais sobre temas controversos da prática profissional.

Com relação à comunicação tanto com os especialistas quanto com a mulher, merecem destaque a renovação da marca Febrasgo e ampliação do número de seguidores nas redes sociais em mais de 700%. Tivemos ainda o lançamento do portal ELA, com conteúdos originais destinados a cuidados da saúde da mulher; isso sem falar na Pesquisa sobre expectativa da mulher brasileira quanto à sua vida sexual e reprodutiva que foi realizada pela DataFolha. Podemos citar ainda a ampliação do alcance das revistas RBGO e Femina. A primeira está internacionalizada, com conteúdos em inglês e artigos de diversos países. A Femina, por sua vez, é distribuída em consultórios e também traz conteúdos de atualização científica. 

As atualizações na matriz de competências de Ginecologia e Obstetrícia; o apoio ao XXII Congresso Mundial da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (Figo), a maior edição ocorrida até então; a edição e lançamento de livros e fascículos destinados ao aprimoramento profissional e consequente ampliação da projeção de associados também estão entre as 10 realizações mais importantes da Entidade.

Escola Febrasgo

No próximo dia 5/9, terá início a nova edição da Escola Febrasgo. O projeto tem como finalidade a atualização e educação continuada de ginecologistas e obstetras. Após o bem sucedido ciclo de atualizações sobre endometriose, o projeto amplia seu alcance ao investir em multiplicidade de temas que poderão atender os anseios e necessidades de um maior número de profissionais. Dentre os nove temas a serem abordados estão: tratamento de mioma uterino, micronutrientes e gravidez, câncer de colo uterino, entre outros. “Os assuntos escolhidos baseiam-se nas pautas em voga na sociedade, dúvidas de profissionais e conhecimentos que carecem atualização médica”, explica o Dr. Eduardo Cordioli, membro da CNE de Ultrassonografia e um dos organizadores da Escola.

A Escola Febrasgo continua com o apoio do Hospital Israelita Albert Einstein para a gravação das aulas e disseminação de seus conteúdos. A atividade ocorrerá em ambiente online, de modo possibilitar o acesso e revisita de materiais a qualquer momento. As aulas terão duração de uma hora e serão transmitidas ao vivo, no perfil da entidade no Facebook. Na sequência, os vídeos serão disponibilizados para associados no site da entidade e também no do Hospital.

“O conhecimento pode ser ampliado com o passar do tempo. E, nos últimos anos, isso tem acontecido ainda mais rapidamente. É fundamental que o profissional de saúde se atualize. Projetos como a Escola Febrasgo, numa visão mais ampla, ajudam a melhorar a assistência à saúde, no Brasil”, aponta o Dr. Sergio Podgaec, membro da CNE de Endometriose e um dos idealizadores do projeto desde sua primeira edição no ano passado.
 
 

FEBRASGO apoia posicionamento da SOGESP em relação ao PL 435/2019

A FEBRASGO apoia posicionamento da SOGESP em relação ao PL 435/2019 - que garante à gestante a possibilidade de optar pelo parto cesariano, a partir da trigésima nona semana de gestação, bem como a analgesia, mesmo quando escolhido o parto normal. Leia abaixo: 

Posicionamento da SOGESP em relação ao PL 435/2019

A SOGESP vem esclarecer seus associados e a população do Estado de São Paulo os motivos que a levaram a se posicionar contra a aprovação do PL 435/2019, na forma como este foi apresentado.É importante dizer que em nenhum momento a SOGESP se posiciona contra o respeito à autonomia da mulher no sistema público e privado, e muito menos quanto à ampliação do acesso à analgesia de parto. Porém, o PL e as justificativas apresentadas pela própria deputada, em seus pronunciamentos na ALESP e em vídeos e textos em redes sociais, não são condizentes com as evidências científicas existentes.

Desde o momento que tomou conhecimento do PL 435/2019 (10/04/2019) a SOGESP tem procurado apontar a necessidade de análise e discussão mais profunda deste projeto. Enviamos solicitação de reunião com a deputada em (18/04/2019); enviamos à deputada algumas sugestões sobre o texto e proposta para discussão ampliada do projeto, protocolamos na ALESP (07/06/2019) solicitação para que o regime de urgência não fosse aprovado, nos reunimos com outros deputados e finalmente em 17/06/2019, em reunião com a deputada Dra Janaína Paschoal, apresentamos pessoalmente as argumentações científicas aqui detalhadas.Não há clareza em relação os termos utilizados no PL e, portanto, é impossível determinar para que casos o projeto de lei de destina.

Os termos cesárea eletiva (cesárea programada com indicação médica); cesárea a pedido (cesárea programada, durante o pré-natal, em situações onde não há indicação médica) e cesárea de emergência (aquela realizada quando se observa algum quadro clínico materno ou fetal que a justifique, durante o trabalho de parto ou fora dele, portanto com indicação médica) são confundidos nas falas apresentadas pela autora da proposta nas audiências da ALESP e nas redes sociais.

A falta de definição precisa destes termos já impede, ao menos, a aprovação apressada e sem adequações no texto do PL. Se a falta de definição correta dos termos a serem colocados no PL é algo grave, levar a discussão sobre a escolha pela cesariana para o momento do trabalho de parto pode interferir no exercício da autonomia. Para exercer a autonomia é importante compreender claramente os riscos e benefícios das opções e, assim, poder escolher livremente entre as alternativas. Neste sentido, não há como negar que o exercício da autonomia fica extremamente prejudicado caso a decisão seja tomada durante o trabalho de parto, entre as contrações dolorosas, e em um momento de extrema vulnerabilidade.

Além disso, há evidências científicas de que o aumento de taxas de cesárea não leva à redução da morbi-mortalidade perinatal. E a afirmação de que a realização de cesarianas (por solicitação da paciente inclusive durante o trabalho de parto) reduzirá o número de casos de paralisia cerebral não encontra amparo na literatura médica. Ao contrário, há dados na literatura médica que comprovam que o aumento nas taxas de cesariana não traz modificações na ocorrência de paralisia cerebral. Isso inclusive motivou a realização de estudos que permitiram que se concluísse que somente 10% dos casos de paralisia cerebral são associados a eventos durante o parto. Os demais casos (90%) têm causas genéticas, e alterações durante o pré-natal ou após o nascimento. Fazer afirmações sobre a possível redução de casos de paralisia cerebral com a opção pela cesariana, sem apoio na literatura médica, também compromete o acesso à informação de qualidade para que as gestantes possam exercer plenamente sua autonomia.

Não há dados sobre as taxas de paralisia cerebral no Estado de São Paulo, bem como não há estudos que determinem se a ocorrência deste evento é maior ou menor em hospitais públicos ou privados no Estado. Há apenas impressões pessoais. Sem dados concretos, tomar decisões e propor projeto de lei sobre um evento extremamente grave, mas pouco frequente e de causa multifatorial é muito temeroso e de certa forma irresponsável com a saúde pública. A análise do impacto de um projeto de lei é de responsabilidade de seu proponente e aprovação do projeto com tramitação em regime de urgência impossibilita o aprimoramento da proposta que só é possível pela escuta e pelo debate ampliado.

Passar para a gestante a informação, sem embasamento científico, de que a escolha pela cesárea poderá evitar a ocorrência de paralisia cerebral e de óbito fetal é responsabilizar a mulher pela possível ocorrência de um desfecho desfavorável caso ela opte pelo parto normal. Não podemos culpabilizar as mulheres por eventuais intercorrências e muito menos propor soluções sem embasamento científico, temos sim que continuar a trabalhar pela melhoria da assistência tanto no sistema de saúde público como no privado.

Uma das prováveis consequências deste projeto será o aumento indiscriminado nas taxas de cesárea. Este fato também não foi analisado de forma adequada, inclusive com planejamento sobre seu impacto em relação às complicações da cesariana como maior risco de hemorragia e infecção; especialmente quando o procedimento é realizado durante o trabalho de parto. Justifica-se que as taxas de complicações de cesáreas a pedido (programada durante o pré-natal, fora de trabalho de parto e sem indicação médica) são semelhantes àquelas relacionadas ao parto vaginal programado, porém o projeto prevê a realização de cesárea por solicitação da mulher durante o trabalho de parto. E não há estudos na literatura e nem análises no Estado de São Paulo sobre este tipo de intervenção (cesárea por solicitação materna durante o trabalho de parto), não sendo possível prever as consequências deste PL para a saúde da mulher e para o sistema de saúde do Estado. Lembro aqui que este projeto de lei se aplica ao SUS e que não houve análise sobre o número de leitos, especialmente de UTI, que podem ser necessários e se há leitos disponíveis, ou sobre como será estruturado o sistema de saúde para cumprir esta lei.

Importante pontuar também que não houve qualquer avaliação sobre o impacto desse PL e do aumento do número de cesáreas na mortalidade materna. O Estado de São Paulo tem apresentado aumento significativo de sua razão de morte materna que em 2012, era de 35/100.000 nascidos vivos e que, em 2017, ultrapassou 50 mortes maternas /100.000 nascidos vivos. No Estado de São Paulo a segunda causa de morte materna são as hemorragias. É sabido que o aumento de cesarianas está associado à placenta prévia, acretismo placentário, e, portanto, a hemorragias após o parto. Um projeto de lei que aumenta taxas de cesarianas e, com isso, orisco de acretismo placentário e consequentemente, de morte materna, sem análise mais profunda, não irá colaborar para a melhoria da saúde de nossas mulheres e pode ainda colocá-las em risco. Neste momento em que, temos um número inaceitável de morte materna no nosso Estado, as ações precisam ser voltadas para a redução da morte materna e não para o seu possível aumento.

Assim, considerando o anunciado compromisso da nobre deputada com a saúde da mulher e do recém-nascido, a SOGESP vem mais uma vez, agora publicamente, solicitar à Deputada Janaina Paschoal que retire o PL 435/2019 da pauta de votação e do regime de urgência e promova uma discussão ampla baseada em evidencias científicas e nos dados epidemiológicos do Estado de São Paulo.É responsabilidade da SOGESP a análise crítica desta proposta, em cumprimento ao seu objetivo de promover o estudo, a pesquisa e a discussão de assuntos atinentes à obstetrícia. Assim, a SOGESP coloca-se à disposição para contribuir para aprimorar a discussão com todas as iniciativas que tenham por objetivo a melhoria da atenção à saúde da mulher.Vale salientar que a contribuição da SOGESP é de ordem científica, portanto sem nenhum vínculo com qualquer partido político, e tem como objetivo salvaguardar a vida de mulheres e de seus filhos e garantir melhoria dos indicadores de saúde de nosso Estado.

Atenciosamente,


Rossana Pulcineli Vieira Francisco

Presidente

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