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Cooperação entre Brasil e França oferece estágio em HIV, outras IST e hepatites virais

Serão oferecidas quatro vagas para estágios de até 60 dias na França

O Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DCCI), abriu edital de seleção para bolsas de estágios de curta duração na França, no âmbito do Programa de Cooperação Técnica Brasil-França.

São quatro vagas nas áreas temáticas de prevenção combinada, vigilância, assistência, economia da saúde e laboratório. Para participar da seleção, o candidato deve ser servidor da administração pública direta ou indireta, ou ligado a instituições governamentais ou não governamentais que atuam no enfrentamento ao HIV, outras IST e hepatites virais (exceto funcionário do DCCI); ter idade mínima de 18 anos; ter experiência profissional mínima comprovada de 3 anos no campo do HIV, de outras IST e/ou das hepatites virais; ter fluência no idioma francês; haver concluído o ensino superior; e cumprir as determinações do edital.

O Ministério das Relações Exteriores da França, por meio da Embaixada da França no Brasil, irá conceder ao estagiário bolsa de estudos no valor de €1.704 (um mil, setecentos e quatro euros) por mês, para cobrir despesas com hospedagem, transporte local e alimentação. Por sua vez, o Ministério da Saúde do Brasil, por meio do DCCI, cobrirá as despesas com passagens aéreas, em classe econômica, desde a cidade de origem no Brasil até o destino na França, e retorno.

O prazo para os candidatos enviarem a documentação requerida na primeira etapa do processo seletivo se encerra no dia 17 de janeiro de 2020, e a divulgação do resultado final ocorrerá em 18 de fevereiro de 2020. Os estágios serão realizados entre os meses de maio e dezembro de 2020.

Informações em:

www.aids.gov.br

email: [email protected]

Amamentação em mulheres com mamoplastias: evidências atuais

Ana Cristina F. de Vilhena Abrão

Maria Jose Guardia Mattar

Kelly Pereira Coca

Karla Oliveira Marcacine

As cirurgias mamárias têm sido elencadas como uma das causas associadas à interrupção precoce da amamentação pois podem alterar a integridade e funcionamento da mama, dependendo da técnica cirúrgica utilizada1,2. Suas repercussões estão relacionadas à problemas na produção e ejeção láctea, estase láctea, ingurgitamento obstrutivo, mastite, abcesso mamário, além da insegurança materna para amamentar1,2.

Com a evolução das tecnologias e das técnicas cirúrgicas, os procedimentos estéticos vêm crescendo no Brasil e no mundo. Pesquisa recente divulgada em 2018 pela International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), revela um aumento de 5,4%. O Brasil é o segundo país na realização de procedimentos estéticos, representando cerca de 2.267.405 entre procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos (9,7%). Dentre os procedimentos cirúrgicos, a mamoplastia de aumento, ocupa o primeiro lugar, com cerca de 1.841.098 procedimentos3.  Este ranking é confirmado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, representando 18,8% dos procedimentos; já a mamoplastia redutora ocupa o quinto lugar, representando 9,9% das cirurgias4.

Apesar do grande número de procedimentos realizados, a literatura é limitada quanto ao seu impacto na amamentação. Em relação à mamoplastia de aumento, as publicações dos últimos cinco anos mostram que as mulheres foram significativamente menos propensas a amamentar e a taxa de aleitamento materno exclusivo foi menor quando comparadas às mulheres sem cirurgia5; os subgrupos com incisão Periareolar versus Inframamária não mostraram diferença estatística5,6; e a dor e o maior escore de dor, a ocorrência de lesão e o uso dos galactagogos (oral e nasal) estiveram associados ao local de implantação, ao tamanho da prótese e ao tempo decorrido da cirurgia5,6.

Em relação à mamoplastia redutora, última revisão sistemática realizada em 20177 concluiu que  72% das mulheres relataram a falta de apoio e incentivo como motivo predominante para não amamentar(cinco estudos); 55% das mulheres relataram leite insuficiente e 16% delas referiram relutância e falta de apoio para o insucesso na amamentação(sete estudos); a quantidade de tecido mamário removido e o ano da cirurgia parecem não ter tido impacto na taxa de amamentação bem-sucedida. Por outro lado, técnicas que mantêm intacta a coluna do parênquima sub-areolar da mama parecem proporcionar maior probabilidade de sucesso na amamentação.

Estudo qualitativo publicado em 2018 com mulheres que realizaram mamoplastia antes da maternidade concluiu que a maioria delas não conseguiu amamentar exclusivamente e teve uma experiência de amamentação complementar, realizando translactação e/ou a técnica sonda-dedo em quase todas as mamadas. Os esforços para iniciar e manter a amamentação exclusiva foram exaustivos e persistentes, predominando o aleitamento complementado. Questionamentos surgiram em relação à sua capacidade para exercer o papel materno na amamentação. Poucas mulheres foram informadas sobre os efeitos da mamoplastia, os riscos e as consequências sobre a amamentação quando da obtenção do consentimento informado para a realização da cirurgia8.

Considerações finais e implicações para a prática

              As mulheres optam pela mamoplastia ainda muito jovens, neste sentido ela precisam receber orientações sobre os possíveis efeitos, riscos e possíveis consequências para a amamentação. Uma vez realizadas, devem receber informações detalhadas da cirurgia, o local de abordagem, o nome da técnica proposta, volumes a serem implantados ou retirados, as estruturas anatômicas que serão manipuladas. Estas informações são importantes para pesquisas futuras que pretendem analisar de forma mais detalhada o seu impacto na amamentação.

As taxas reduzidas de aleitamento materno entre as mulheres expostas a mamoplastias, enfatizam a importância de identificá-las, apoiá-las e incentivá-las. Essas mulheres podem ter maior probabilidade de desistir da amamentação uma vez desafiadas por dificuldades na lactação, devido a expectativas anteriores e menor autoconfiança em atender às necessidades do bebê.

O consentimento informado para a realização de mamoplastias deve incluir dados baseados em evidências sobre os riscos relacionados ao AME. As propagandas de mamoplastia de aumento deveriam advertir quanto aos seus potenciais prejuízos à lactação. Estudos devem ser mais detalhados para possibilitar análises mais confiantes.

O profissional de saúde que atende essas mulheres deve ter presente a necessidade de uma assistência individualizada e aconselhamento seguro para todas as possibilidades, seja aleitamento materno exclusivo ou não. 

REFERÊNCIAS

  1. Lawrence RA, Lawrence RM, editors. Breastfeeding: a guide for the medical profession. 8th ed. Philadelphia: Elsevier Mosby; 2015. p. 65-103.
  2. Lages AF. Mamoplastias e amamentação. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO); 2018. Cap.8, p.72-9 (Série Recomendações FEBRASGO, no. 6/Comissão Especializada em aleitamento materno).
  3. International Society of Aesthetic Plastic Surgery. Global statistics [Internet]. Hanover: ISAPS; 2018 [cited 2018 Aug 28]. Available from: https://www.isaps.org/wp-content/uploads/2019/12/ISAPS-Global-Survey-2018-Press-Release-Portuguese.pdf;
  4. Fengrui Cheng;Shuiping Dai;Chiyi Wang;Shaoxue Zeng;Junjie Chen;Ying Cen. Do breast implants influence breastfeeding? A meta analysis of comparative studies. Journal human lactation. 2018;1-9. doi: 101177/0890334418776654.
  5. Marcacine KO, Abuchaim ESV, Coca KP, Abrão ACFV. Factors associated to breast implants and breastfeeding. Rev Esc Enferm USP. 2018;52:e03363. doi: http://dx.doi.org/10.1590/S1980-220X2017037803363
  6. Kraut RY, Brown E, Korownyk C, Katz LS, Vandermeer B, Babenko O, Gross MS, Campbell S, Allan GM. The impact of breast reduction surgery on breastfeeding: Systematic review of observational studies. PLoS One. 2017;12(10):e0186591. doi: 1371/journal.pone.0186591.
  7. Camargo JF, Modenesi TSS, Brandão MAG, Cabral IE, Pontes MB, Primo CC. Breastfeeding experience of women after mammoplsty. Rev Esc Enferm USP. 2018;52(23).  doi: http://dx.doi.org/10.1590/s1980-220x2017020003350.
 

Comunicado - Eleições FEBRASGO

As postagens veiculadas nos últimos dias nas mídias eletrônicas intituladas “QUARTA VITÓRIA NA JUSTIÇA”, não refletem a realidade processual, tendo em vista a inexistência de qualquer decisão de mérito determinando a realização de nova eleição.

A decisão proferida pela desembargadora na ação objeto do recurso interposto pela Febrasgo (TJRJ - 0074710-25.2019.8.19.000) respeita o princípio do contraditório e não altera as deliberações emanadas pelas assembleias gerais das federadas (AGF) realizadas.

Pelo exposto, queremos deixar claro a todos os associados que a Febrasgo continuará cumprindo fielmente o seu estatuto/regimento, as decisões judiciais e assembleares e por eles se pautará. Nada foi feito e nada será feito fora desse contexto.

É o que, respeitosamente, nos compete comunicar.

 
DIRETORIA FEBRASGO

Conquistas da gestão

Estamos chegando ao final da gestão 2016-2019 com muitas inovações em nossa entidade associativa nacional. Neste novo contexto, a Diretoria de Defesa e Valorização pode desempenhar seu papel de criar condições melhores para a aplicabilidade do conhecimento científico, em benefício das mulheres brasileiras.

O maior ganho conquistado neste período pela Diretoria de Defesa e Valorização Profissional foi a representatividade da FEBRASGO em todas as instancias onde possuía assento, tais como Conselho Federal de Medicina em sua Câmara Técnica de Ginecologia e Obstetrícia, na Associação Médica Brasileira junto à Defesa Profissional, na Agencia Nacional de Saúde Suplementar (ANS), na Justiça Federal, no Ministério da Saúde, entre outros.

Importante salientar, que nas grades científicas dos Congressos Brasileiros de Ginecologia e Obstetrícia, realizados em Belém no ano de 2017 e Porto Alegre este ano, foram realizadas 10 atividades de Defesa e Valorização Profissional em cada um deles, com grande comparecimento de médicos interessados nos assuntos escolhidos, todos relacionados à implementação de boas práticas ginecológicas e obstétricas e às nossas condições de trabalho e remuneração.

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