2012

Mulheres na pós-menopausa não realizam exame de Papanicolau

mai 13 • Notícias • 6033 Views • Comentários desativados

O câncer de colo de útero é uma doença grave e corresponde ao segundo tipo de câncer que mais atinge as mulheres, atrás apenas do câncer de mama. Para detectar de forma precoce este câncer, é recomendado o exame de Papanicolau em mulheres entre 25 e 59 anos e com vida sexual ativa. O estudo “Papanicolaou na pós-menopausa: fatores associados a sua não realização” investigou os riscos relacionados a não realização do exame Papanicolaou em mulheres que vivenciam a menopausa. O estudo avaliou mais de 400 mulheres, entre 45 e 69 anos, moradoras de Maringá, no Paraná.

Sheila Cristina Rocha Brischiliari, da Universidade Estadual de Maringá, autora do estudo, e colegas contam que o exame de Papanicolaou cobre 80% da população-alvo. Segundo a equipe, esse procedimento pode reduzir até 90% da incidência de câncer invasivo. “O Ministério da Saúde ainda preconiza que o exame seja realizado a cada três anos após dois resultados normais ou negativos para câncer, consecutivos, tendo intervalo de um ano”, esclarecem as autoras no artigo.

A pesquisa dos Cadernos de Saúde Pública de outubro deste ano não focou os fatores relacionados à ocorrência do câncer de colo de útero, mas destinou-se a identificar os riscos relacionados a não realização de seu rastreamento já que o exame de Papanicolaou pode diagnosticar de forma precoce a doença. O estudo mostra que, de maneira similar ao observado em outros trabalhos, as mulheres que disseram não realizar o exame são pessoas de baixa escolaridade. “Esse fato deve ser levado em consideração nas situações de rastreamento, pois a literatura descreve a baixa escolaridade como fator de risco para o desenvolvimento do câncer de colo uterino. Além disso, essa condição favorece o aparecimento de dificuldades sobre o entendimento de medidas preventivas e fatores de risco”, afirmam as autoras.

Segundo o artigo, apesar do número de mulheres sem parceiro analisadas ser pequeno foi possível perceber que a não realização do exame neste grupo é maior. As autoras ainda explicam que existe desigualdade racial e social quanto ao acesso ao exame, isto é, a prevalência de não realização do Papanicolau entre mulheres de cor não branca e de baixa renda foi maior. As especialistas comentam também que apesar do uso de TRH – terapia de reposição hormonal – não estar associado ao câncer de colo de útero, as mulheres na menopausa que fazem uso dele têm maior acompanhamento profissional, o que possibilita a realização, com certa frequência, do exame de Papanicolaou.

A pesquisa apontou como fatores responsáveis pela não realização do exame de Papanicolaou as dificuldades em fazer o exame, nervosismo, vergonha, além de dor e desconforto na coleta. “Os achados evidenciaram a necessidade de intervenção em forma de educação em saúde para conscientização das mulheres que não realizam o exame de Papanicolaou, pois, independentemente da existência de fatores de risco, deve ser estimulada a prevenção”, chamam à atenção as autoras.

Fonte: Notisa 

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