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Clitóris 3D ensina anatomia em escolas e desmistifica prazer feminino

nov 18 • Clipping • 3472 Views • Comentários desativados

“DEU NA IMPRENSA E NÃO REPRESENTA A OPINIÃO DA FEBRASGO, MAS SIM DOS ENTREVISTADOS”:

Décadas depois da revolução sexual e da ascensão dos movimentos feministas, o clitóris continua sendo um ilustre desconhecido. Hoje já está associado ao prazer feminino, mas sua anatomia, localização e “modo de usar” ainda são um mistério para boa parte da humanidade.
Na França, onde a educação sexual é obrigatória nas escolas desde a primeira infância, estudantes de todas as faixas etárias terão a oportunidade de conhecer de perto o órgão erétil, de anatomia similar à do pênis, que é o principal responsável pelo orgasmo da mulher.
16284246O contato será com um modelo 3D anatomicamente correto desenvolvido pela pesquisadora Odile Fillod, 44, que pode ser impresso nas escolas francesas interessadas desde o mês passado.
A ideia surgiu quando Odile trabalhava em um projeto pedagógico antissexista e constatou que o clitóris não era representado corretamente nos livros. Muitas vezes, disse ela em entrevista à Folha, nem constava nos esquemas que representam os órgãos sexuais femininos.
A descrição da anatomia do clitóris é mesmo imprecisa, segundo Lucia Alves Silva Lara, presidente da Comissão de Sexologia da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), porque utiliza conceitos antigos, baseados na dissecção de cadáveres.
O mapeamento recente de suas estruturas através de ressonância magnética foi o que permitiu descobrir que o órgão, cuja única função é o prazer, mede de 9 a 11 cm e é constituído por corpo, crura, bulbo e glande –das quais apenas o primeiro e a última são visíveis.
Ao longo da história, até em livros de medicina, o clitóris –do grego kleitoris, “pequeno monte”– é pouco mencionado. “A impressão é de que a negligência sistemática deve-se ao fato de não haver conhecimento de qual seria a verdadeira razão para a existência dele”,
diz Lucia Lara.
Saber que o clitóris e o pênis são órgãos homólogos e funcionam da mesma maneira leva à compreensão de coisas importantes, acredita Fillod. Primeiro, que a excitação sexual das mulheres também é traduzida por uma ereção. Depois, que elas dificilmente têm um orgasmo sem que o clitóris seja estimulado.
“O órgão de prazer sexual da mulher não é a vagina. Conhecer a anatomia do clitóris permite que elas entendam o que lhes dá prazer”, afirma Odile Fillod. E evita a ideia de que são frígidas ou anormais porque não gozam com o coito vaginal.
MANUAL DE INSTRUÇÕES
Dois livros recém-lançados no Brasil jogam luz sobre a importância do clitóris no prazer sexual e ajudam a desfazer mitos, ainda que não se restrinjam a essa parte.
Em “Sexo para Adultos” (Leya, 176 págs., R$ 24,90), organizado em forma de perguntas e respostas, a sexóloga Laura Muller afirma que a dificuldade em chegar ao orgasmo continua no topo das preocupações das mulheres em relação à vida sexual, mas diz que elas se interessam cada vez mais em se conhecer.
“Foram séculos de repressão da sexualidade da mulher. É importante entender que não há nada errado em sentir prazer com o próprio corpo.”
A psicóloga Tatiana Presser, 43, diz que muitos homens confundem o clitóris com o ponto G e não sabem que têm de estimulá-lo para que a parceira chegue ao clímax. Para ela, a ideia de que só eles são os responsáveis pelo prazer da mulher deve ser combatida.
“O homem vai direto para a penetração, ela não tem orgasmo e ele fica frustrado porque não conseguiu leva-la ao orgasmo”, diz a autora de “Vem transar comigo” (ed. Rocco, 272 págs., R$ 36,50).
No livro, a autora se detém longamente no clitóris, passando pelo conhecimento histórico e anatômico sobre o órgão, até chegar aos finalmentes: dicas bem-humoradas para a masturbação e massagens eróticas (o homem também tem sua vez).
A leitora e o leitor são apresentados a movimentos como “bambolê” (movimentos circulares), “tortura chinesa” (para retardar o clímax) e “espremedor light” (com o clitóris entre os dedos).
“E um vibradorzinho sempre ajuda a mulher. Quanto mais se masturba, maior a vontade de transar”, diz. Receita não existe, mas um bom caminho para a mulher chegar ao orgasmo é excluir as causas físicas, não se cobrar demais e procurar conhecer o próprio corpo.
Odile Fillod também dá seu recado: “É preciso acabar com a ideia de que o prazer feminino é um enigma e que uma mulher deve esperar que um homem a faça gozar por não sei qual mistério”.

Tire suas dúvidas

O que é o clitóris?
É um dos pontos mais sensíveis da região vaginal e o principal órgão de prazer feminino. Nele, os toques são tão prazerosos quanto as carícias feitas na glande (que é a cabeça do pênis). Estimulá-lo é fundamental para o prazer feminino.

Muitas mulheres não gozam com a penetração. Por quê?
Não conseguir gozar na penetração é relativamente comum. Isso porque o principal órgão de prazer feminino talvez seja o clitóris. Para a maioria das mulheres, são os toques diretamente nesse órgão (com o sexo oral ou a masturbação) que levam mais facilmente ao orgasmo.
Atingir o orgasmo durante a penetração pode também ser questão de técnica: será preciso também estimular o clitóris, seja com a própria mão ou com a mão do parceiro, ou ainda com o movimento dos corpos.

O clitóris também se modifica na hora do sexo?
Sim. Num primeiro momento, o clitóris fica enrijecido. À medida que a excitação cresce, ele vai se recobrindo pelo tecido da própria região onde está localizado. Nessa hora, a vulva inteira se incha. Todas essas modificações são desencadeadas pela excitação.

Às vezes, o clitóris dói. Por quê?
Porque é um órgão extremamente sensível e precisa estar preparado para que o toque seja considerado prazeroso. Se a mulher não estiver excitada o suficiente, a carícia no clitóris, por mais delicada que seja, pode causar incômodo ou até mesmo dor.

Fonte: Folha de S. Paulo 

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