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Estudo comprova perfil de segurança da vacina contra o HPV

jan 22 • Notícias • 2511 Views • Comentários desativados

De acordo com a  presidente da Comissão de Vacinas da Febrasgo, Nilma Antas Neves, existem evidências globais sobre a eficácia da vacina, e as mães devem estimular as filhas à imunização, pois é antes da vida sexual que se tem a produção de anticorpos que ajudam a proteger por um período maior

Estudo feito com mais de 780 mil adolescentes meninas e mulheres entre 10 e 44 anos da Dinamarca e da Suécia, e publicado no Jornal da Associação Médica Americana (JAMA), na primeira semana de janeiro deste ano, comprovou que a vacina quadrivalente contra o papilomavírus humano (HPV) não está associada à esclerose múltipla, como tem sido descrito em alguns relatórios sobre assunto.

Durante sete anos, os pesquisadores cruzaram registros dos países sobre a vacinação contra o HPV e a incidência de esclerose múltipla e outras doenças desmielinizantes. “A nossa pesquisa acrescenta dados aos já existentes, que sustentam um perfil de segurança global favorável da vacina contra o HPV além de expandir o conhecimento  sobre esclerose múltipla e outras doenças desmielinizantes por meio de análises abrangentes”, disse em nota um dos autores do estudo, Nikolai Madrid Scheller.

Para a presidente da Comissão de Vacinas da Febrasgo, Nilma Antas Neves, o estudo dinamarquês e sueco foi muito bem controlado, uma vez que os governos têm a informação da real situação de saúde dos países. “Em todo o mundo já foram aplicadas mais de 180 milhões de doses da vacina, com excelente perfil de segurança. Nos Estados Unidos, o Center for Disease Control and Prevention (CDC) avaliou cerca de 22 mil eventos adversos temporalmente relacionados à vacinação, após a administração de mais de 67 milhões de doses (incidência de 0,03%), sem constatação de relação de causalidade de males à saúde com a vacinação”, afirma.

Sem Efeitos Graves – Embora em setembro 2014, quando aplicada a segunda dose de vacina, através de campanha nacional do Ministério da Saúde, algumas meninas tenham sentido efeitos colaterais como dor de cabeça, tonturas, tremedeiras e perda de sensibilidade, como foi documentado, Dra. Nilma esclarece que a vacina quadrivalente pode causar efeitos leves como dor e vermelhidão no local da aplicação, febre e cefaleia, mas sem associação causal com efeitos adversos graves.

“Esses efeitos leves são reversíveis em dois a três dias. Não foi comprovada a associação de causa e efeito entre alguns problemas graves relatados e a vacina contra HPV. O Comitê Consultivo Global em Segurança de Vacinas da Organização Mundial de Saúde revisou recentemente as informações de segurança das vacinas contra HPV e essa associação causal não foi observada”, disse Dra. Nilma Neves.

Para as mães que ainda ficam receosas sobre a indicação da vacina, ao temerem que estejam estimulando as filhas à atividade sexual, Dra. Nilma Neves manda um recado: “O foco da vacinação são as adolescentes antes do início da atividade sexual, porque ainda não tiveram contato com o vírus e, portanto, a vacinação terá maior custo-benefício. Além desse objetivo, sabemos que a melhor faixa etária para a vacinação contra HPV é de 9 a 13 anos, porque nessa fase a vacina é mais imunogênica, ou seja, estimula maior produção de anticorpos, que podem ser importantes para a eficácia e proteção por um período maior de tempo”.

Vale reforçar que as adolescentes que não tomaram a segunda dose da vacina na Campanha devem procurar algum posto de saúde para completar a vacinação, porque somente assim estarão protegidas.

Proteção no Futuro – Cabe lembrar que a vacinação é uma ferramenta de prevenção primária que protege para os dois principais tipos de HPV relacionados ao câncer de colo de útero, com proteção para cerca de 70% dos casos. “O impacto real da diminuição da ocorrência de câncer somente será observado nas próximas décadas, mas é preciso começar a vacinação agora, para que haja menos incidência da doença no futuro”, finaliza Dra. Nilma Antas Neves.

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