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Jornal da FEBRASGO




De Olho no Futuro

Nilson Roberto de Melo
Presidente


Segundo pesquisa divulgada pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), médicos com cursos de mestrado ou doutorado lideram o ranking dos profissionais mais bem remunerados, sendo que aqueles sem a titulação recebem 25% a menos de honorários.

Isso pode dar a falsa impressão de que a nossa classe seja bem remunerada, possibilitando que os médicos tenham padrão e qualidade de vida adequados. No entanto, o mesmo estudo mostrou que, para o médico atingir esse ganho, é preciso trabalhar aproximadamente 64 horas semanais. Seria uma jornada acima de 12 horas diárias, superior em 50% à média de 8 horas de outras profissões.

Além disso, no caso de nossa especialidade, não há um horário padronizado. O médico pode ser chamado a qualquer momento em razão de urgências obstétricas e ginecológicas ou para esclarecer dúvidas, sem que se tenha a devida remuneração para essa disponibilidade de 24 horas por dia, 365 dias ao ano.

Portanto, ao levarmos em consideração esses aspectos, e por ter ocorrido um achatamento salarial muito exorbitante para a maioria dos tocoginecologistas, a remuneração do médico está mal.

Deve-se levar em conta também que a formação do médico é mais longa. A duração do curso é de seis anos, seguidos por mais três de residência. Assim, somente após nove anos de estudos é que estaremos aptos para o trabalho; diferente do que ocorre com a maioria das profissões, que lança o profissional ao mercado após quatro ou cinco anos de formação.

Outro aspecto relevante a ser mencionado é que o tocoginecologista que trabalha nas grandes cidades, em geral, possui vários empregos simultaneamente. Além de perder muito tempo no trânsito para o deslocamento entre eles, o médico tem seu grau de estresse elevado, que já é grande em nossa especialidade, aumentando a possibilidade de ser vítima de várias doenças ou mesmo de se acidentar.

Devido ao excesso de labor, o tocoginecologista não tem tempo para pensar, em termos de remuneração, no seu futuro e de sua família. Muitas vezes, somente toma consciência da realidade quando é surpreendido por doença ou acidente, que acarretam na interrupção temporária do trabalho e na redução de seus vencimentos.

E no caso de emprego público, os honorários do tocoginecologista sofrerão drástica redução, pois parte dos mesmos referem-se a gratificações e abonos, que desaparecerão ao se aposentar – e que são artifícios executados por nossos políticos para nos ludibriar, justamente no momento em que merecemos usufruir. Caso o médico trabalhe apenas em seu consultório, a tendência temporal após os 60 ou 65 anos é a de redução da clientela, com diminuição nos honorários.

Por outro lado, não se deve esquecer que há aumento substancial de gastos com a idade, principalmente com medicamentos e com os planos de saúde. Assim, é de fundamental importância que o tocoginecologista planeje o seu futuro, buscando meios de obter segurança financeira na aposentadoria, para que possa usufruir de maneira plena uma boa qualidade de vida.

 

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